terça-feira, 2 de julho de 2013

Literatura de/para/sobre mulher não é subgênero!

Desenhe um boneco de palitinho num quadro negro, em giz branco. E pergunte a qualquer um quem é aquela figura. 100% de certeza que é um homem, branco, cisgênero e heterossexual. Assim é na vida em praticamente tudo. Imagine x CEO de uma grande empresa. Imagine x presidente de uma nação. Imagine x protagonista de um filme de ação. Imagine x personagem central de um livro de aventura. Vou focar na literatura, pois mesmo personagens altamente libertárias como a Lisbeth Salander (Série Millenium - Stieg Larsson) só quebram em parte esse estereótipo: Mulher, branca, cisgênero, bissexual. Nesse texto tratarei apenas da questão de gênero, deixando as outras características para outros textos (vindouros, aguardem).

A literatura é dominada por homens. Por isso eu criei uma versão um pouco melhorada (acho) de um bechdel test, doravante chamarei de Teste Giza (Porque SIM!), que é meu atual critério para comprar/ler um livro:

- O livro é escrito por uma mulher?
- A personagem central é mulher?
- O interesse romântico em um homem, caso haja, é secundário para a trama?

Isso, obviamente, não vai medir o grau de feminismo, vai apenas determinar se os livros que são escritos por e para mulheres são sobre mulheres. Imagine que fosse o contrário, quantos livros você conhece que são escritos por homens? com protagonismo masculino e cujos interesses românticos são secundários para a trama? Aí ficou fácil, não é? Essa pesquisa aqui sobre o panorama brasileiro comprova bem o problema.

Aguardo o dia em que a normatização sobre a literatura não seja tão grande a ponto de existir um gênero desviante que é "para mulheres". Ou seja, que o protagonismo masculino deixe de ser padrão e que ser mulher deixe de carregar o estigma de ser sub-qualquer coisa. 

Por que é importante ler livros escritos por mulheres? 

O teste Bechdel original não contém informações sobre quem está por trás da história. Talvez porque realizar um filme é uma competência de muitas pessoas, o que tornaria difícil a análise. Mas um livro é escrito por um autor ou por poucas mãos, o que facilitaria. O nome está na capa, não custa dar uma olhadinha rápida. É importante ler livros de mulheres porque o olhar masculino sobre as mulheres tem sido em grande escala ou misógino, ou paternalista. De princesas que precisam ser salvas à pedaços de carne que precisam ser devoradas (metaforicamente). Livros como a série Millenium, escritos por um homem e com olhar igualitário sobre as mulheres, são raros. Muito raros.

Aguardando ansiosa o dia que essa linda <3 vai
escrever livros sobre Hermiones e não sobre Harrys.

Dia desses, estava lendo Game of Thrones. O mundo lá retratado é muito similar ao nosso no tocante à misoginia, ainda que as mulheres do livro sejam em sua maioria personagens maravilhosas, ricas em complexidade. Enfim, me surpreendi com um trecho em que Danaerys adentrava um recinto onde só havia homens, em sua maioria desconhecidos. Ela quase que instintivamente procura por outra mulher no recinto. Não encontra e, por isso, se sente desconfortável. Esse pequeno trecho, que poderia passar completamente despercebido, demonstra que o autor naquele momento teve uma enorme empatia pelas mulheres de forma geral. Qual mulher se sentiu segura em um ambiente completamente masculino? Eu nunca me senti. Lembro-me das muitas vezes em que desci praticamente na última parada de ônibus, tarde da noite, voltando da faculdade. Quantas vezes não tive medo ao ficar sozinha com o motorista, o cobrador e um ou dois gatos pingados desconhecidos dentro do ônibus? Esse tipo de pensamento pode vir num lampejo de empatia de um autor homem, mas vem naturalmente quando a autora é mulher, porque ela vive esses sentimentos o tempo todo.

Saindo um pouco da literatura para o cinema (oi, maior digressão do mundo, lembra?), quando a Pixar lançou "Valente", o que mais ouvi por aí foram críticas. Diziam que era um filme sem muita ação. Diziam que era um filme sem muita comédia. Diziam tanta coisa que eu desanimei o suficiente para não criar expectativas, mas qual não foi a minha surpresa ao assistir o filme e me deparar com grande parte da minha vida ali, naquela tela? Eu e minha mãe sempre tão parceiras, tão amigas e tão diferentes, passamos boa parte da nossa vida discutindo essas diferenças. Já repararam como é raro que se trate a fundo dessa relação entre mãe e filha? Ou que, quando o fazem, uma das duas sempre sai como vilã? Valente é um filme com não uma, mas duas protagonistas que se amam. É um filme que não gira em torno dos homens que estão na vida delas, mas apenas do amadurecimento e fortalecimento daquela relação entre mulheres. Se fosse um livro passaria com louvor no meu personal Giza test for books.

Além disso é importantíssimo parar de normatizar a profissão de escritor como uma profissão masculina. Recomendo esse texto.

Por que é importante que as personagens centrais sejam mulheres? 

Para que possamos nos sentir representadas e empoderadas. É ótimo encontrar personagens como a Hermione (Harry Potter - J.K Rowling), que é a aluna mais inteligente da grifinória, possivelmente de Hogwarts. É ótimo encontrar personagens como a Michonne (The Walking Dead - Robert Kirkman), que é uma guerreira negra e badass num mundo onde a maior parte da população foi dizimada. Porém, nenhuma dessas personagens são autônomas de fato nessas aventuras, pois são secundarizadas e eclipsadas pelo protagonismo masculino. Pense aí como seria foda um The Walking Dead sob a liderança da Michonne? 

Katniss Badass Everdeen
Sabe aquele estereótipo de que nerd é tudo um bando de adolescente espinhento de mão peluda que não tem namorada porque as garotas em geral desprezam a cultura nerd? Deixa eu contar um segredo: é o oposto. Mulheres são desprezadas pela cultura. Imperam o paternalismo e a misoginia. Não nos sentindo plenamente representadas, muitas de nós, nerds em potencial, acabam por trilhar outros caminhos. Por não se interessar por games, por exemplo! A Anita Sarkeesian recentemente criticou o fato de não haver nenhum jogo para XBOX One com protagonismo feminino entre os lançamentos anunciados esse ano. Sacou? Temos sido sistematicamente excluídas ou eclipsadas na literatura, nos games, no cinema e etc.

Por que é importante que o interesse romântico não seja prioritário para a trama?

Recentemente, várias autoras tem escrito livros com protagonismo feminino (o que é ótimo), porém, as histórias giram em torno de homens (o que é péssimo). Mesmo os livros que são escritos para um público feminino, são sobre homens. A presença masculina é o fio condutor das histórias que as mulheres lêem. É importante que personagens masculinos sejam secundários, para que o protagonismo seja feminino DE FATO. Pois na nossa sociedade atual, não há equilíbrio entre essa relação, mesmo um protagonismo dividido pode facilmente se tornar paternalista.

Não leio porque não me
empodera, mas não julgo quem lê.
Observe, por exemplo, que segundo esse teste que propus, nenhum livro da Jane Austen passaria. Eu amo Jane Austen. Acho que a obra dela busca a quebra de paradigmas da sociedade em que ela vivia, onde casamentos eram arranjados entre pessoas de mesma classe social. Ela questiona em sua obra várias questões: Se o casamento entre pessoas de classe social diferente deveria ser probido, se mulheres devem casar por interesse e por fim, o próprio casamento arranjado em si, que é fruto de um relacionamento (ou nem isso) sem amor. Porém, uma vez que o assunto tratado é a questão do casamento e da vida conjugal, pode-se dizer que os livros tratam do relacionamento de mulheres e homens. 

Isso que estou falando parece contrariar a idéia do primeiro tópico? Ou seja, antes eu disse que mulheres empatizam melhor com mulheres por compartilhar experiências similares, mas agora eu digo que algumas de nós estão escrevendo histórias que não nos empoderam e isso soa estranho? Bom, a verdade é que uma das experiências universalmente compartilhadas por nós é a internalização do machismo. Crescemos ouvindo o patriarcado ditar as regras sobre as nossas vidas e muitas vezes acreditamos nele. Acreditamos nele quando nos contaram histórias de princesas presas em torres, aguardando príncipes. Ouvimos o patriarcado quando nossos pais dizem que nosso irmão pode sair à noite, mas nós não. Prestamos atenção quando aquele carinha disse que aquela menina era rodada e sem valor. E principalmente acreditamos no patriarcado quando ele falou que não podemos confiar umas nas outras. Enfim, tantas mentiras foram colocadas dentro de nós que um teste anti-patriarcado precisaria de uma prova de Vestibular padrão CESPE para encontrar uma obra que de fato não fosse machista. 

Então, eu acho importante não julgar, não condenar a mulher que está escrevendo histórias românticas e parar de achar que todas as críticas direcionadas ao gênero literário Chiklit (por exemplo: Becky Bloom, Bridget Jones e, acho que até Crepúsculo se enquadra), são críticas literárias. Há muito de misoginia, tanto contra as escritoras quanto contra suas personagens, mas  principalmente, contra seu público.

E aí, Giza, o que você recomenda, então?

OLHA não está fácil. Tenho 5 livros (na verdade são sagas literárias) para recomendar. E essa lista vai aumentar conforme eu progredir nas leituras encalhadas.

Momento lindo da Marji em Persépolis

- Persépolis, de Marjane Satrapi (Quatro volumes, existe uma edição única). Esse livro merece um texto só para ele, mas adianto que a autobiografia de uma iraniana que tem como pano de fundo o cenário político do Irã, de crescente repressão às liberdades civis.

- As Brumas de Avalon, de Marion Bradley Zimmer (Quatro livros). Old but gold. Pegue uma história contada e recontada sob a ótica masculina e conte-a novamente, só que dando voz às mulheres. Essa é a premissa. É maravilhoso.

- Jogos Vorazes, de Suzane Collins (Três livros). Aqui há um terreno cinzento na questão dos relacionamentos amorosos, se eles são ou não secundários, contudo eu consigo ver que sim, é uma história sobre uma mulher lutando uma guerra sozinha. E é notório que a personagem é muito solitária, então creio que passa no Teste Giza. 

- Caminhos de Sangue, de Moira Young (Três livros, só li o primeiro até agora). A Saba começa a história sendo a sombra do irmão. A própria personagem diz isso, mas ela vai crescendo ao longo do primeiro livro até se tornar autônoma. É ela que embarca em uma aventura para salvar o irmão. É ela a heroína (e para falar a verdade, o irmão mal aparece). 

- Divergente, de Veronica Roth (Três livros, apenas dois lançados). Ai gente, ai gente, será? Não sei ainda, estou em dúvida. Estou aguardando o melhor.

P.S.: Aceito sugestões.

UPDATE: Até mesmo as capas dos livros para mulheres são gritantemente diferentes, veja nesse link.
UPDATE 2: Passar no Teste Giza não assegura qualidade, apenas aponta o protagonismo feminino dentro (personagem) e fora (escritoras) da ficção.

23 comentários:

  1. a verdade é que meus próprios livros só passam um pouquinho no teste porque eu sou a autora. eu vejo um avanço, pelo menos, principalmente nos últimos livros (embora a maioria ainda não publicada), no que também é meu esforço de colocar no mundo como autora, mulher, sim, mas e daí. de certa forma no começo acho que escrevia sobre personagens homens porque era pra ter espaço (así es) e por todos aqueles motivos que mencionei em meu texto :) sem contar que comecei escrevendo literatura policial, e o espaço feminino nesse meio (para autoras e personagens) é bem reduzido.

    já tenho dois livros (desses não publicados) que têm protagonistas mulheres. mas foi difícil também vencer minhas próprias barreiras pra chegar nisso. acho que agora, com mais consciência de tudo, minhas narrativas vão tomar outros rumos.

    é bom poder falar sobre isso :)

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  2. Nossa, adorei o texto! Não sabia que existia um teste para livros desse tipo :) me fez pensar bastante e ficar bem decepcionada, pois vi que a lista de livros que passam o teste é realmente pequena.
    Seu post me lembrou um outro super legal no Cem Homens que fala de capas de livros escritos por mulheres - a diferença gritante entre capas de livros por homens, por mais que as histórias sejam parecidas (http://www.cemhomens.com/2013/05/trocando-a-capa/).
    E sobre os livros, o primeiro que me veio a cabeça foi Persépolis mesmo e colocaria nessa lista todos os outros quadrinhos da Marjane. Outro que passa o teste com folga é "A Elegância do Ouriço", da Muriel Barbery, que conta a história de uma menina e de uma mulher idosa, ambas passando por crises existenciais quase opostas e que acabam se encontrando - meu resumo é tosco, mas o livro é fantástico.
    Também dá pra citar o "Filha de Feiticeira", eu acho. Li quando tinha 12 anos, mas lembro que a história é sobre uma jovem no mundo moderno que acha um diário de uma antepassada sua, uma bruxa que vivia nas colônias americanas e teve que fugir.
    Enfim, obrigada pelo texto :) achei muito interessante!

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    1. Oi Juliana! Que ótimas sugestões, me interessei muito nesse "A Elegância do Ouriço"! Eu não tinha visto ainda o post da Nádia, vou fazer um update e linká-lo no texto. Obrigada pelas dicas. :)

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  3. Oi, Gizelli!
    Cheguei aqui por uma dica da Aline Valek.
    Muito obrigada por criar esse teste. Achei muitíssimo relevante. Da mesma forma que aconteceu quando conheci o Bechdel, nunca mais lerei um livro, verei um filme ou espiarei um videogame sem me lembrar do Giza (rs). Já o divulguei na minha página do Facebook, pois tem tudo a ver. :-)
    Como você disse que aceita dicas de livros que passem no seu teste, vim dar uma: "Cross My Heart", de Sasha Gould. A história se passa na Veneza renascentista e é protagonizada por uma garota de 16 anos que, para escapar de um casamento arranjado com um homem repulsivo, se envolve com uma sociedade secreta só de mulheres. Num mundo dominado pelos homens, elas comercializam segredos. Por meio de chantagens e revelações bem calculadas, nas sombras, elas acabam sendo as verdadeiras tomadoras de decisões. Ao mesmo tempo, ela tenta desvendar a verdadeira causa da morte de sua irmã mais velha. O livro tem o interesse romântico da protagonista por um rapaz bem marcado, mas a história não é SOBRE isso. O livro tem algumas falhas, algumas coisas que eu pessoalmente achei bobinhas, mas é bom entretenimento e passa no seu teste e também no Bechdel com honra: é um livro escrito por uma mulher, protagonizado por uma mulher, com várias personagens femininas com nomes que falam de vários assuntos entre si e cuja trama principal nada tem a ver com um romance com um cara. E posso dizer, sem medo de dar spoiler, que quem salva o dia é a mocinha. ;-)
    Grande beijo.

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    1. Oi, Mila! Obrigada pela visita e pela dica :) Eu curti muito a descrição do livro que você sugeriu e me lembrou "Caminhos de sangue", que citei ali em cima. Em Caminhos de sangue há um grupo de amazonas que se tornam companheiras da Saba. O nome desse grupo eu acho lindo: As Gaviãs Livres.

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  4. Como é bom ler textos assim! Pensei em alguns livros, a minha melhor sugestão é Tomates verdes fritos (também é um dos meus livros favoritos). Acho que TODA mulher deveria ler esse livro. E conhecer Towanda.

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  5. Amei o texto!
    Bom,minha escritora favorita é mulher e feminista,Isabel Allende. Sou apaixonada pelos seus romances e todos os que eu li até agora passaram por esse teste(espero ter feito direito rs).
    Inclusive o livro que estou lendo agora trata de uma das fundadoras do Chile, que segundo a própria autora, por ser mulher aparece pouco nos livros de História do País...
    Lembrei agora de outro muuuito bom, Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves. Bjos!

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  6. Amei o texto!
    Bom,minha escritora favorita é mulher e feminista,Isabel Allende. Sou apaixonada pelos seus romances e todos os que eu li até agora passaram por esse teste(espero ter feito direito rs).
    Inclusive o livro que estou lendo agora trata de uma das fundadoras do Chile, que segundo a própria autora, por ser mulher aparece pouco nos livros de História do País...
    Lembrei agora de outro muuuito bom, Um defeito de cor, da Ana Maria Gonçalves. Bjos!

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  7. Oi Giza! Se me permite uma correção, enquanto estava lendo, reparei no "A Anita Sarkeesian recentemente criticou a XBOX". Essa frase ficou estranhíssima. O que ela criticou foram os jogos anunciados para o Xbox One apresentados na conferência da Microsoft, não 'a xbox' (principalmente porque o termo é usado pra se referir ao primeiro videogame da MS).

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  8. Olá!
    Uma amiga postou o link deste post perguntando se os livros escritos por mulheres são para mulheres. Antes de clicar no link, a primeira personagem feminina que me veio à cabeça foi a Lisbeth Salander, mesmo sem saber do teste, e mesmo sabendo que o livro foi escrito por um homem. Depois, conforme fui lendo seu post, lembrei de um livro escrito por mulher e que tem como protagonistas 4 mulheres que entram no ramo do assassinato por acaso; cada uma com sua personalidade marcante e diferente, mas todas sofrendo de alguma forma por serem do sexo feminino (o livro é o "Do Outro Lado", de Natsuo Kirino). Recomendo!

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  9. Neil Gaiman e sua serie Sandman, e um autor masculino raro que tambem trata as mulheres de forma diferente e rica em sua trama.

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    1. O problema é que aí não empoderamos as escritoras. Onde estão as mulheres que escrevem? tão secundarizadas e eclipsadas quanto as mulheres na ficção.

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    2. mas gizelli,em Coraline ai sim,(você já leu?se não leu aconselho),a personagem é uma menina de personalidade que si vira sozinha nas situações de mais medo possível.Acabei de chegar ao blog por este post e bem,depois disso vou vir aqui direeeto.E estava me perguntando o que escrever e tudo mais,passei o dia frustrada,e agora já sei o que vou escrever ; )

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  10. Gizelli, lembrei de outro livro bem legal pra recomendar aqui:

    "Starters", de Lissa Price. Tive o prazer de fazer a revisão dele em língua portuguesa. É bem "Jogos Vorazes": escrito por mulher, protagonizado por numa garota adolescente corajosa e situado num futuro próximo extremamente caótico, onde a maior parte da população foi dizimada por uma doença, exceto aqueles que foram vacinados... os menores de 18 e os maiores de 60. Com isso, tem-se uma sociedade maluca onde as únicas profissões viáveis são exercidas por idosos com saúde ampliada (afinal, é o futuro) e boa parte dos adolescentes vive marginalizada, pois muitos não têm famílias vivas. A protagonista precisa proteger o irmão mais novo e, para ganhar dinheiro, acaba se envolvendo com um esquema perigosíssimo de aluguel de corpos. Com isso, acaba se metendo sem querer nos jogos criminosos de uma elite idosa e sem escrúpulos. Tem momentos bem românticos e tal, mas isso é secundário à trama. Passa igualmente no Teste de Bechdel e no Teste Giza. :-)

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  11. Vou citar outro: "Starters", de Lissa Price. Tive o prazer de fazer a revisão dele em língua portuguesa. É bem "Jogos Vorazes": escrito por mulher, protagonizado por uma garota adolescente corajosa e situado num futuro próximo extremamente caótico, onde a maior parte da população foi dizimada por uma doença, exceto aqueles que foram vacinados... os menores de 18 e os maiores de 60. Com isso, tem-se uma sociedade maluca na qual as únicas profissões viáveis são exercidas por idosos com saúde ampliada (afinal, é o futuro) e boa parte dos adolescentes vive marginalizada, pois muitos não têm famílias vivas. A protagonista precisa proteger o irmão mais novo e, para ganhar dinheiro, envolve-se com um esquema perigosíssimo de aluguel de corpos. Com isso, acaba se metendo sem querer nos jogos criminosos de uma elite idosa e sem escrúpulos. Tem momentos bem românticos e tal, mas isso é secundário à trama. Passa igualmente no Teste de Bechdel e no Teste Giza.

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  12. Olá, Gizelli. Tudo bem? Meu nome é Daniel Zanella, editor do RelevO, impresso mensal de literatura editado em Curitiba. Concordo por demais com a sua argumentação e gostaria de saber contigo se você autorizaria a republicação deste seu post em uma de nossas futuras edições impressas. Seria uma honra contar com as suas palavras em nosso jornal. Acredito que você está a falar de algo fundamental e urgente.
    Um grande abraço
    Daniel Zanella

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    1. Oi Daniel, deixe um contato para conversarmos. :)

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  13. "A Anita Sarkeesian recentemente criticou o fato de não haver nenhum jogo para XBOX One com protagonismo feminino entre os lançamentos anunciados esse ano."
    Tem sim, pena que apenas e um game, procure por mirror's edge, foi anunciado o 2 para Xbox one.

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  14. Boa noite, muito interessante sua visão, o que me fará ter outra visão sobre o que leio/vejo/jogo daqui para frente.
    Pensando em tudo que você escreveu, me veio à mente uma excelente personagem feminina no mundo dos quadrinhos, personagem principal, inteligente, independente, autônoma e muito aventureira. A personagem é a Júlia Kendall, dos quadrinhos Aventuras de uma Criminóloga publicado no Brasil pela Mythos. A HQ é de extrema qualidade e vale a leitura.
    Uma curiosidade é que quase que esse título não conseguiu se manter no Brasil. Inicialmente o seu título era somente Júlia, mas esse título fazia a HQ ser armazenada juntamente com livros do tipo "Bianca" nas bancas, o que fez suas vendas iniciais serem minúsculas e somente decolou quando o título mudou para Aventuras de uma Criminóloga.

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  15. Primeiramente, gostei muito do seu texto! Ficou muito bom, muito bom mesmo.
    Pois então, lendo ele comecei a comparar com a minha história e os próprios leitores da história. Atualmente, ainda posto ela em um site, de fanfics (embora ela seja origina, futuramente pretendo publicar como livro). Se se interessar, ficaria grata que desse uma olhada http://fanfiction.com.br/historia/370925/Argos_-_Os_Quatro_Elementos/
    Tenho uma protagonista. E um, quase que protagonista.
    Gosto de torcer por dois personagens, para que eles fiquem juntos, isso faz com que nas minhas histórias, futuramente, o romance poderá surgir. Embora não será o ponto forte da história, talvez possa acabar se tornando o ponto fraco.
    Contudo, minha personagem é uma guerreira, poderia-se dizer, ela luta, não tem tanta piedade, é forte. Os leitores talvez acham inconscientemente que ela é meio masculinizada, pelo fato de que é quem da "porrada" em todo mundo, não tem medo. Ela apanha, mas bate, ela cai, mas levanta e derruba o oponente de um precipício. Minha história é de fantasia, e, quase que poderia classificar essa personagem como umas das mais "poderosas" da história.
    No entanto, existe uma espécie de "ordem" uma fortaleza para aqueles que tem as habilidades "sobrenaturais". Seu líder é um homem, de fato, o que se diz ser mais poderoso de todos, embora, ele seja um personagem que não vai durar todos os livros, e futuramente será substituído por uma mulher. Não será a protagonista, será outra personagem. Que também é classificada como uma das mais poderosas.
    Okey, acho que até ai tudo bem, certo? Pois vou falar dos leitores então.
    Minhas personagem tem um jeito meio "cruel", e eu queria que ela fosse assim, para fugir daquela história de uma personagem fraca que se torna forte, ela já é forte, deu duro por aquilo, apenas vai aperfeiçoando. O que levou aos leitores não preferirem ela. Isso mesmo, eles preferem o outro personagem(quase protagonista), que é um homem legal, mais bonzinho. Ou então, um dos antagonistas da história, que também é um homem, ele é cínico, louco e debochado, e as pessoas preferem eles. Não ela. E o por que? Simplesmente dize que não simpatizam com a personagem.
    Em outra história que escrevo, também criei uma personagem mais ou menos assim(ela é um pouco mais vândala, rsrsr), as pessoas já passaram a não gostar muito dela, pelo fato de que, ela é uma das principais. Os leitores parecerem preferir a personagem meiga e feminina, mais desprotegida, ou o personagem masculino badass, ao invés da personagem feminina que também é badass.
    Essa história dos leitores me confunde, mas lendo esse seu texto, acho que comecei a compreender melhor o que se passa na mente de quem lê as histórias :)

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