terça-feira, 16 de dezembro de 2014

São Luís (parte 1): Porque fiquei positivamente surpresa com a cidade

Este ano bateu o desejo de conhecer São Luís. Eu, que nasci e morei no Pará por anos, que tenho muitos familiares no Piauí, sempre estive pelo maranhão apenas de passagem. De repente, a idéia de viajar para São Luís para conhecer a cidade foi ganhando espaço. Comecei a pesquisar na internet sobre a cidade e tenho que dizer que foi difícil encontrar informações, não encontrei guias impressos sobre o Maranhão e não encontrei tantas informações assim usando o Google. Repetem-se as mesmas dicas, os mesmos pontos turísticos, grande parte deles no centro histórico. Mas e a parte nova da cidade? Não existem museus, centros de cultura e outras coisas interessantes para conhecer na parte nova da cidade? Jamais saberei.

Quando eu viajo para uma cidade gosto de explorar endereços inusitados, curiosos e que nem sempre fazem parte do circuito tradicional de turismo. Tem uma série de guias turísticos impressos que adoro, se chama "Endereços curiosos de (...)", seria maravilhoso se um dos volumes fosse sobre São Luís (eu imagino que seria um guia riquíssimo, pois há muitos endereços curiosos em São Luís). Também não encontrei um guia gastronômico de São Luís, como quase tudo, encontrei dicas dos mesmos restaurantes, sempre dispersos em blogs não especializados na internet. Ou era a blogueira de moda que recomendava o restaurante X ou o site de turismo que recomendava o mesmo restaurante. Faltam sites especializados em gastronomia maranhense (que aliás é uma delícia!), o único que encontrei é bem recente.

Li muitos depoimentos de visitantes (a maior parte deles eram moradores do sudeste do Brasil), falando muito mal da experiência de conhecer a cidade. Tudo levava a crer que seria uma experiência decepcionante. Felizmente, a minha determinação de visitar São Luís foi maior. Por isso, resolvi falar sobre como as minhas impressões foram diferentes do que havia lido e ouvido por aí. Eu acredito que muitas das pessoas que reclamaram de São Luís esperavam encontrar no nordeste outro sudeste, ou um nordeste romantizado que só existe na imaginação das pessoas mesmo.

"As praias são horríveis e poluídas"

Horrível!? Onde?

São Luís é uma cidade atípica, situada em uma ilha (mas bem próxima ao continente), podemos visualizar uma orla bem generosa, mas que não é paradisíaca como grande parte das praias nordestinas. As águas não são de azul cristalino. A tonalidade é esverdeada e densa, não dá para ver o fundo. A areia é branca e muito, muito, muito fininha. O clima é bem quente, mas como venta! a brisa do mar corre por todos os cantinhos da cidade. A areia entra nos seus olhos, na sua boca, no seu nariz. Ela gruda em todo o seu corpo, ainda que você tenha ido apenas fazer uma caminhada rápida no calçadão e nem tenha pisado na areia de fato. Alguns quiosques da orla são completamente fechados com painéis de vidro para evitar que o vento vá levando tudo embora.

Passei pela praia em dias de semana e sempre havia movimento, vida, não dá para perder de vista o próximo quiosque para tomar uma água de côco. De noite, o movimento é bem menor e se resume aos quiosques. A orla mais badalada à noite está na praia do Calhau, na minha opinião, a praia urbana mais bonita de São Luís. Não vá às praias Ludovicenses procurando uma foto de algum pôster caribenho, contudo, não passei por nenhuma praia horrível, não.

As condições de balneabilidade variam, por onde estive sempre havia bastante gente tomando banho de mar tranquilamente. Vi pouquíssimo lixo nas praias. Inclusive a maré abaixa muito, deixando uma faixa muito larga de areia e é possível perceber a ausência de lixo no mar. Também não senti nenhum odor característico de esgoto, nada, nada, nada. Não vi nenhuma placa alertando para más condições de balneabilidade nesta época do ano. Entrei no mar, estou viva e saudável, sem nenhuma frieira, coceira, nada. 

Entretanto acho que cabe uma crítica: deveria haver mais equipamento urbano, banheiros, calçadas maiores, ciclovias, bancos e etc. Isso ajudaria a dar mais vida noturna para as praias. Na praia de Ponta D'areia, onde acabaram de inaugurar o "Espigão Costeiro" (uma obra de engenharia para conter a erosão que seguia em direção aos prédios chiques da cidade), começaram a delinear melhor uma estrutura desse tipo, seria interessante que seguisse em direção às outras praias da cidade. 

"Dá medo andar por São Luís"

Gente. Gente. Como assim? Um vendedor em uma das lojinhas de artesanato me falou que depois das "pacificações" no Rio de Janeiro, a violência aumentou no Nordeste, sugerindo que o tráfico hoje é polinuclear. Também vi várias notícias sobre fugas do presídio de Pedrinhas. Apesar disso, São Luís é como qualquer capital do Brasil, tem que tomar os cuidados de sempre: Se você vai andar pelas zonas turísticas da cidade, tente não andar por lugares ermos, e leve por aí apenas o essencial e tal. Nada demais. 

"O Centro Histórico está caindo aos pedaços"

Uma das ruas mais preservadinhas

Longe de mim dizer que não existem problemas, mas o meu ponto é: Quando a gente visita o Rio de Janeiro, nós focamos as nossas impressões em quê? O centrão do Rio de Janeiro também não está super bem cuidadinho, não. Mas voltamos para casa falando em cidade maravilhosa. E Brasília, essa cidade tão jovem, você conhece o Setor Comercial Sul? E o centro antigo de São Paulo? E o centro antigo de BH (cidade onde já morei e amo muito)?  E o centrão de Fortaleza? Há muita degradação nas áreas antigas e comerciais das cidades, é comum.

Acho que o que deixa as pessoas chocadas é que São Luís tem um casario tombado pelo IPHAN (considerado o maior conjunto arquitetônico português fora de Portugal) e mesmo assim a degradação urbana permanece. As pessoas vão à São Luís esperando o mesmo cuidado que existe em Ouro Preto, por exemplo. Mas vamos recordar que Minas Gerais é um dos estados mais ricos do Brasil e que Ouro Preto apesar de ter uma área de município maior, tem uma área urbana menor, uma população e densidade muito menor e etc. Ouro Preto é uma cidade incrível, mas que não tem a complexidade e as contradições próprias de uma grande cidade. 

O casario de São Luís não está tão conservado, exceto por áreas pontuais, como a Rua Portugal. As edificações mais conservadas são aquelas utilizadas por órgãos públicos ou com algum uso que recebe patrocínio do governo. Também observamos que muitos casarões estão sendo reformados por uma iniciativa chamada de "Casa do Maranhão". Me parece que em breve haverá vários museus com temas específicos do maranhão (inclusive um museu da gastronomia maranhense que já me deixou louca de vontade de voltar quando ficar pronto).

Uma coisa que me deixou muito impressionada com o Centro Histórico é a quantidade de pequenos museus e centros de cultura, muitos deles eu nunca li nada a respeito na internet (Ou se li foi em alguma descrição tão superficial que não me chamou atenção). E em todos os espaços culturais que entrei há um guia preparado para atender os visitantes (sempre peça as visitas guiadas). Todos, sem exceção, foram muito gentis e atenciosos. Acho que, se de um lado existe um governo omisso, há também muita boa vontade das pessoas em resgatar e preservar a cultura maranhense. Então, antes de focar no "Centro Histórico caindo aos pedaços" eu me lembrarei do "Centro Histórico orgulhoso da cultura maranhense". 

A crítica que faço ao Centro Histórico é que apesar de ser um lugar lindíssimo, deveria haver mais ruas exclusivas para pedestres. Há espaços que ficam dominados pelos carros e que poderiam ser tomados pelas pessoas. Mas esta também é uma crítica que se estende à diversos centros urbanos pelo país. Eu acho que São Luís vale demais a visita, por ser uma cidade única e tão cheia de cultura.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Valorize as Minas: Que venham as férias!

Finalmente chegou dezembro e espero que possamos nos despedir de 2014 logo. Este ano que já teve 45 meses. Novo mene da atéia que acredita em superstição: Eu acredito em ano novo, energias renovadas, novos ares. Porque estou falando isso agora, no início de dezembro? Porque eu estou entrando de férias do blog hoje, volto ano que vem!

Então, desejo a todas um ótimo finalzinho de 2014, que nossos forninhos estejam seguros em 2015.

Boas festas :)

E corram para o cinema para assistir Mockinjay parte 1


Transexualidade:

Transexual, a busca pela identidade: terceira parte da entrevista com Daniela Andrade.

Parents place "retraction" to birth announcement to show support for trans son: Em um mundo em que grande parte das pessoas trans são expulsas de casa quando assumem sua identidade de gênero, os pais de um jovem trans arranjaram uma forma doce e linda de mostrar apoio. <3

Literatura e Cinema

Comentando a primeira parte de Mockinjay (Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1) : A Valéria faz uma ótima análise do filme (Com alguns spoilers). E não deixe de ler este texto sobre as plantas mencionadas em Jogos Vorazes (Não tem nada a ver com feminismo, mas achei tão sensacional!)

Mulheres negras na literatura: De Carolina à Luma, questões raciais e de gênero : Uma entrevista ótima com a poeta e educadora Luma de Lima Oliveira sobre Carolina Maria de Jesus e as dificuldades encontradas pelas escritoras negras.

Games:

The Gaming Industry's Greatest Adversary Is Just Getting Started:  Um texto sobre Anita Sarkeesian e o assédio que tem sido o background da sua vida.

Game Reviewer Alanah Pearce Is Contacting The Mothers Of Boys Who Sent Her Rape Threats : Uma crítica de games está usando uma técnica interessante contra o assédio e ameaças virtuais que recebe. Ela percebeu que muitas vezes as ameaças partem de garotos menores de idade, então, ela os delata para os seus pais.

Música:

Friday Playlist: Where My Girls At? : Playlist com músicas de girls bands <3

Solidariedade:

#ForçaAndressa : Andressa Urarch foi a vítima célebre do padrão de beleza esta semana. Não bastasse entrar em coma, ainda está sendo chamada de fútil e louca pela mesma sociedade que impõe os padrões.

Victoria Lopes: Relatos de um dia de Albino César : As blogueiras negras lançaram uma nota em apoio à Victória, uma adolescente negra que foi espancada por SEIS policiais na saída da escola. 

O estigma da vítima : Qualquer mulher pode ser uma vítima e isso não é sinônimo de ser fraca ou ser passiva diante das situações opressivas. Esse é um engano comum e que, inclusive, já levou a casos em que o judiciário favoreceu o agressor, porque afinal a vítima não era a "vítima ideal" (no sentido de idealizada, aquela vítima que existe na cabeça das pessoas).