Há muitos anos nós, mulheres, somos bombardeadas com normas sobre a nossa aparência, sobre como devemos nos vestir para estar de acordo com os ditames da moda. E se nosso corpo varia de tamanho, variam os julgamentos. Corpos maiores devem ser escondidos, disfarçados para que pareçam menores. Mas não são. Quem é gordinha como eu sou, não deveria ser tolhida por normas de vestimenta que restringem o seu gosto pessoal à zero ou pelo menos a um segundo plano. Quantos anos eu passei sem usar listras horizontais porque diziam engordar? Quantas roupas pretas? Quantas saias na altura do joelhos? Não estamos falando de moda, estamos falando de opressão quando a idéia é: odeie tanto o seu corpo que precise passar a escondê-lo.
Não é muito diferente quando falamos da decoração de ambientes. Digite aí no google: "truques para ampliar/aumentar a sua sala/outro ambiente qualquer". A nossa casa também é espaço de pasteurização do pensamento. Pois é, a cagação de regras não possui limites. Ela está vestindo a nossa pele e está na cor da parede da nossa casa.
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| Print de matéria da revista "Casa e Jardim" |
Dizem as revistas especializadas em suas fórmulas repetidas à exaustão, que as cores claras, os espelhos, as listras horizontais, os móveis baixos e etc ampliam o espaço. Não, amigos! Parem! Nada disso amplia de fato um ambiente, a única coisa capaz de ampliá-lo de verdade é a demolição de uma parede que integre um espaço contíguo.
Nesse ponto há de se compreender uma outra característica dessa pasteurização: A noção de que espaços maiores são necessariamente melhores. E me desculpe se vejo aí um teor levemente elitista, pois indiretamente afirma-se que a casa modesta não tem a mesma graça que a casa opulenta. Cresci em uma casa de cerca de 80m², onde viviam 3 pessoas, às vezes algum animal de estimação e nos foi perfeitamente suficiente. Um lar de fato. Não é o tamanho de uma casa que a tornará melhor.
Aliás, já que toquei no assunto "tamanho", nos poucos anos de profissão como arquiteta, tenho visto as casas crescerem assustadoramente. Casas onde vivem 4 pessoas e possuem mais de 500m², 6, 7 banheiros. Há mais banheiros do que capacidade de utilização simultânea. Sem contar os resquícios do nosso passado escravagista em que funcionários precisam ter alas de permanência distantes daquelas em que ficam os patrões, assim, a empregada não come na mesa da sala, não assiste tv com os moradores da casa, sequer usa o mesmo vaso sanitário. Os excessos viraram a norma.
Aliás, já que toquei no assunto "tamanho", nos poucos anos de profissão como arquiteta, tenho visto as casas crescerem assustadoramente. Casas onde vivem 4 pessoas e possuem mais de 500m², 6, 7 banheiros. Há mais banheiros do que capacidade de utilização simultânea. Sem contar os resquícios do nosso passado escravagista em que funcionários precisam ter alas de permanência distantes daquelas em que ficam os patrões, assim, a empregada não come na mesa da sala, não assiste tv com os moradores da casa, sequer usa o mesmo vaso sanitário. Os excessos viraram a norma.
A casa deveria ser o espaço máximo de personalização que se tem na vida. Deveria ser o reflexo daquilo que somos, deveria incorporar a nossa alma, pois é nesse lugar que passaremos os momentos da nossa vida em que não precisamos vestir nenhuma máscara. Não precisamos estar impecavelmente vestidos, mesmo gordinhas ninguém nos julgará se usarmos largas listras horizontais e um short curto mostrando as polpinhas da bunda, enfim, em boa parte do tempo é lá que seremos quem de fato somos. Contudo, embora muitos clientes afirmem desejar um projeto personalizado, acabam pedindo o mesmo de sempre. Serve aí uma parede bege, um piso claro, um forro de gesso, umas sancas, uma cortina voil e vamos levando a vida sem emoção.
O conjunto de características de uma casa jamais deveria ser alvo de normatização tão absoluta a ponto de decidir que não há espaço para cores escuras em uma casa pequena. E surprise: Cores escuras não necessariamente tornam o ambiente uma caverna, sabe? há muitas formas de utilizá-las. Espelhos podem até criar a ilusão de um ambiente maior, mas não deixam de ser superfícies sem textura e muito frias. Enfim, há motivos para não usar desses artifícios que teoricamente "ampliam". Não significa que não devemos usar cores claras, espelhos e listras, o que quero dizer é que não devemos adotar irrefletidamente algo que não nos diz absolutamente nada só porque alguém disse que é bom. Deveriam mudar a manchete dessas notícias, deveria ser: "Truques para que a sua casa seja qualquer coisa menos SUA casa"
O conjunto de características de uma casa jamais deveria ser alvo de normatização tão absoluta a ponto de decidir que não há espaço para cores escuras em uma casa pequena. E surprise: Cores escuras não necessariamente tornam o ambiente uma caverna, sabe? há muitas formas de utilizá-las. Espelhos podem até criar a ilusão de um ambiente maior, mas não deixam de ser superfícies sem textura e muito frias. Enfim, há motivos para não usar desses artifícios que teoricamente "ampliam". Não significa que não devemos usar cores claras, espelhos e listras, o que quero dizer é que não devemos adotar irrefletidamente algo que não nos diz absolutamente nada só porque alguém disse que é bom. Deveriam mudar a manchete dessas notícias, deveria ser: "Truques para que a sua casa seja qualquer coisa menos SUA casa"

