terça-feira, 2 de setembro de 2014

Blogagem coletiva: Os livros que marcaram a minha infância

Quando criança, meus pais me deram uma coleção de livrinhos ilustrados da Disney. Fiquei especialmente apegada ao Volume dividido entre Peter Pan e Rapunzel. Naquela época, as imagens me capturavam mais que as palavras, eu folheava, folheava, folheava, por horas. Mas o primeiro livro cujas palavras me prenderam, foi o clássico de Maurice Druon "O Menino do Dedo Verde". Tenho certeza não sou a única. Acredito que muitas crianças começaram a se interessar pela leitura a partir de Druon e Tistu, nosso menino herói. 


Atenção, spoilers no próximo parágrafo!

O livro conta a história de Tistu, um menino rico da cidade de Mirapólvora, filho do dono da indústria de canhões. Tistu descobre duas coisas: a tristeza do mundo e o seu "dedo verde". Tistu tem o poder de fazer brotar plantas e flores com um simples toque do seu polegar. Assim, ele transforma a realidade de todos aqueles que sofriam na cidade. Ele levou seu dom para os presídios, favelas, para as pessoas sem esperança nos hospitais, e transformou sua realidade. E, spoiler dramático, ele fez com que seu pai mudasse de ramo, em vez de lucrar com a guerra, seu pai passou a vender flores. Assim, Mirapólvora se tornou Miraflores.

É uma história com uma mensagem bonita e otimista para as crianças: Mudem o mundo ao seu redor, o transformem em algo melhor, façam o bem pelo outro. Não é uma mensagem realmente importante?

Um pouquinho mais tarde, não tenho certeza do quanto, eu li o livro "O jardim secreto", de Frances Hodgson Burnett, uma escritora inglesa. Eu não me recordo se li o livro antes ou depois de assistir o filme, que também vale a indicação. 

Sabe o que eu mais gosto neste livro? Uma personagem feminina assertiva. Claro que quando eu era criança, eu não tinha noção da importância disso, mas eu gostava muito da personagem principal, Mary Lennox. 

Atenção, spoilers no próximo parágrafo!

Mary Lennox ficou orfã e foi enviada para viver na casa de seu tio, o Sr Craven, um homem ausente mas que garante a ela materialmente tudo. Ele tinha um filho considerado doente, Collin, que todos acreditavam que morreria em breve. Por isso, ele era muito mimado, tinha todas as suas vontades realizadas sempre. Ou quase. Mary era a única que não fazia todas as suas vontades, que o confrontava. É Mary que encontra o jardim secreto, fechado há muitos anos. Collin encontra no jardim a cura para a sua fragilidade e Mary para a sua infelicidade. O jardim uniu novamente uma família que estava quebrada.

A mensagem deste livro é que os problemas das nossas vidas podem ser superados. Neste caso, a solução veio com a descoberta de um jardim lindo onde as crianças puderam ser apenas crianças.

Por fim, o terceiro livro que marcou a minha infância, foi "O Capitão Fracasso", do francês Theóphile Gautier. A essa altura eu já devia ser pré-adolescente, realmente não me recordo.

Este é um livro cheio de emoções. Conhecemos a história do jovem Barão de Signognac, um nobre de família decadente, que mal tem dinheiro para comer e alimentar seu gato, seu cachorro, seu cavalo e seu fiel mordomo Pierre. Suas únicas companhias, já que ele se isolou da sociedade aristocrática da região. Mesmo com toda a dificuldade, ele mantém o orgulho do seu Brasão, evitando pedir ajuda a outros nobres ou ao Rei (o que eu acho burrice, mas enfim). A aventura começa quando uma compania de teatro pede abrigo pela noite em sua residência. 

Os personagens são extremamente carismáticos. No grupo dos atores, além da tímida Isabelle, temos Tirano, que é o chefe da companhia, o comediante Matamouros, a matrona Lèonarde, o experiente Scarpin,  o galã Léandre, a sensual Zérbine, o "Pedante" Blázius e a invejosa Seráphine. Outros personagens completam o rol. Há os assaltantes da estrada, Agostin e Chiquita, esta última é talvez a minha personagem preferida, uma adolescente sem qualquer nível de instrução, capaz de ser violenta e feroz, e ao mesmo tempo, leal e até mesmo doce em alguns momentos. E o vilão da história, o duque de Vallombreuse, que faz tudo pelo amor de Isabelle.

Atenção, spoilers no próximo parágrafo!

Ao vê-lo tão jovem e vivendo tão miseravelmente, os artistas convidam o Barão para acompanhá-los até Paris. O Jovem barão se apaixona por Isabelle, uma das atrizes da companhia. Ele se junta à trupe de teatro itinerante e adota a alcunha de Capitão Fracasso. Ele e a companhia dividem tudo, inclusive a fome, o frio, o luto, mas também a felicidade. O homem solitário e miserável, experimenta pela primeira vez a Juventude, o amor, a amizade. Além de muitos duelos de espada. 

O livro dá uma cutucadinha na sociedade e na igreja. ;)

Muitos outros livros marcaram a minha vida depois destes. Alguns me marcaram mais profundamente. Contudo, foi aqui que a minha jornada como leitora começou. Nunca tinha reparado, mas achei curiosíssimo que todos os livros sejam europeus. Eu li bastante coleção vagalume, que nem todo mundo. Ficou claro que desde criança eu já gostava de livros do século dezoito e dezenove (exceto pelo Menino do Dedo Verde, lançado em 1957). Quando adolescente outros livros do mesmo período entraram na lista, especialmente os de Jane Austen. Mas estes ficam para a próxima blogagem coletiva!

Este texto integra a blogagem coletiva "Livros que marcaram a infância".

9 comentários:

  1. O menino do dedo verde!!!! <3 tenho amor eterno por esse livro!
    Me emocionei tanto com o Tistu, queria ter um dedo verde também para salvar o mundo e chorei com o final.
    É um dos livros que também marcaram minha infância.

    Abraços!

    Fran

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  2. Olha que curioso, "O Menino do Dedo Verde" apareceu em um post da blogagem, no blog Coruja de Quinta. A impressão também foi a mesma, de mudar o mundo. Muito bacana ver isso em um livro juvenil, é uma mensagem importante.

    O Jardim Secreto eu só vi o filme, mas estou com o livro no Kindle. Lembro que chorei muito com ele, pois além de ser visualmente muito bonito, o filme também tem uma mensagem poderosa de solidão, de companheirismo, de amizade, de egoísmo, que parece que na infância estão muito presentes, todos ao mesmo tempo. É muito lindinho, muito puro, um filme bacana pra todas as idades. Espero ler o livro em breve.

    O último eu não conheço, aliás, tem várias coisas legais que estou descobrindo com essa blogagem. Fico feliz de ver o povo contribuindo, retomando um pouco sua própria infância.

    Amei, Giza. MIM BEJA!

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  3. Menino do Dedo Verde em 3 blogs até agora! Livro maravilhoso!!! Amo!!!

    Muito boa sua seleção para recordar aqui.

    Tb tô na BC!

    Bjos, Trícia.

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  4. Oi, Gizelli!
    Não dá mesmo para falar de todos os livros que marcaram a nossa infância e conforme leio os post da blogagem, me lembro de um outro livro, porém, destaquei "O Menino do dedo verde", pois esse livro carrego em mim até hoje!
    "O Jardim Secreto", assisti o filme primeiro, daí não rola ler o livro. Eu tenho que ler antes de assistir, senão, a leitura mingua.
    O Título "O Capitão fracasso" por si já chama a atenção e, será que consigo encontrá-lo?
    Boa blogagem!!
    Beijus,

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    1. Oi, Luma! Eu acho difícil encontrar "O Capitão Fracasso" por aí! Foi difícil até mesmo achar uma imagem da capa do livro para ilustrar o post, sabe? Acho que esse livro da imagem, que por acaso é o mesmo que tenho, deve ter sido uma das últimas edições lançadas por aqui. Tanto que quase ninguém conhece o livro, mas se você entender francês, deve encontrar o epub com facilidade. :)

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  5. Oi Gizelli, queria ter participado da Blogagem Coletiva, mas nem rolou porque eu não tenho blog pessoal, né? Então decidi compartilhar algumas das leituras que me marcaram bem aqui na caixa de comentários do seu bloguinho, pode?

    Um dos livros que mais me marcaram na infância foi um que se chamava "O menino sem imaginação" do Carlos Eduardo Novaes. Lembro de tê-lo pego emprestado umas cinco vezes na roda de biblioteca da minha sala.

    A história é de um menino que era viciado em televisão e não tinha imaginação já que tudo vinha pronto por causa da tevê e por causa de uma pane no sistema de telecomunicações, ele teve que aprender a se virar sem a TV.

    Outro livro que me marcou foi "O escaravelho do Diabo" porque eu senti muita tensão lendo esse livro da Coleção Vagalume. É mais uma história de investigação e solução de crimes. Outros livros da coleção Vagalume que me marcaram foi Éramos Seis, que foi o primeiro livro que me fez chorar mesmo e o meu preferido que era "A maldição do Tesouro do Faraó".

    Li Agatha Christie ainda na infância e era viciada em várias histórias, mas apesar dela ser uma incrível escritora de contos policiais, a história dela que mais me marcou foi conto chamado "A casa dos sonhos" que me deixava com muito medo, porque tinha uma pegada sobrenatural.

    Toda a coleção do Pequeno Vampiro me marcou muito também. Tem alguns outros livros que eu amava, só que esqueci o nome deles. Vou tentar lembrar o nome e postar aqui mais tarde.

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    1. Oi Thaís, você pode usar o meu bloguinho para fazer o que você quiser, participar de blogagem, sambar, sapatear, discursar, reclamar, assar pão de queijo. O que você estiver afim de fazer. :)

      Incrível como a coleção vagalume está presente na vida de tantas crianças, não é? Eu também li vários, inclusive "O escaravelho do Diabo" e "Éramos Seis". É uma coleção muito boa.

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  6. Também li muitos livrinhos da Coleção Vaga-Lume! Marocs Rey era o meu preferido, mas não lembro de ter lido O Escaravelho do Diabo e acho que sei porque: meu colégio era de freiras. rs Aposto que isso influenciou a escolha do livrinho pelo professor. rs

    O mais legal dessa coleção é ter servido de pontapé inicial para formar tantos leitores. Sei que eles foram importantes na minha vida escolar e na vida de muita gente. Queria muito que a coleção voltasse, quem sabe até com autores mais jovens e conhecidos da garotada como Eduardo Spohr, André Vianco, Ana Lúcia Merege. Seria uma ótima maneira de motivar a garotada a ler.

    Muito bacana seu comentário! Adorei! =D

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    1. Minha escola tinha uma proposta bem bacana: todo início do ano, cada aluno tinha que levar um livro ou mais, para a roda de biblioteca. No final do ano a escola devolvia os livros emprestados depois que a sala inteirinha já leu. Além dos livros que emprestávamos, havia também livros da própria escola, de forma que era bem variado.

      Cada semana os alunos tinham que alugar um livro na roda de biblioteca. Quem demorava mais a ler, tinha a liberdade de não alugar outro caso o tamanho do livro justificasse. E toda sexta-feira, alguns alunos apresentavam o livro que leram e gostaram, para estimular que os outros o alugassem. Eu era tão empolgada com esse projeto deles, que toda semana queria apresentar o livro que eu li UAEHAHUEHU, tinham que segurar essa Thaís aqui.

      Hoje eu amo ler e acho que tem muito a ver com a roda de biblioteca que alegrou as sexta-feiras da minha infância.

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