Ganhei um ingresso para assistir ao jogo de ontem e fui. Quem comprou este ingresso foi o meu pai, um senhor de 60 anos, petista, que nunca antes tinha assistido a um jogo em Estádio. Muito menos um jogo da seleção brasileira. E que não sabia se poderia arcar com o custo de um ingresso para o jogo da seleção na Copa do Mundo de 2014. Meu pai, como muitas outras pessoas, compraram este ingresso um ano antes da partida. Por isso, não sem algum remorso, eu fui ao jogo. Quando vi a manifestação do lado de fora, eu falei para a minha mãe que se não estivesse dentro do estádio, estaria do lado de fora protestando também. Contraditório? provavelmente. Eu não apóio a copa e não a "financio", como disseram, ao menos não sozinha. Os investimentos para esses eventos vieram do bolso do cidadão comum, com certeza veio de quem estava se manifestando contra o evento também. Minha mãe, também petista, falou algo que na hora eu neguei: "Essa manifestação deve ser coisa da oposição". Expliquei para ela que o povo está insatisfeito, que não é coisa da oposição. Que os investimentos na copa foram imensos em detrimento da saúde, educação e etc. Além disso eu conheço pessoas que estavam lá fora, sei que não estão ali por nenhum partido.
Mas devo concordar que é a ocasião perfeita para a oposição ser oportunista e tentar transformar o movimento em uma discussão meramente anti-PT. Se não acredita em mim, dá uma olhada na capa da veja dessa semana.
Não estão chamando jovem de bandido, vândalos ou violentos. Estão marotamente sugerindo uma pauta: corrupção. Mas a corrupção DE QUEM? Sabemos que a veja é super a favor da apuração da corrupção, desde que ela seja do PT, enquanto esquenta as costas de políticos do PSDB. Eu não ouvi ninguém por aí falar que o Aécio Neves é réu a ser julgado pelo desvio de 4,3 bilhões da saúde. Sabemos o posicionamento político da revista VEJA. Sabemos que por ideologia, ela seria contra os movimentos sociais, porém, não é realmente curioso que o teor tenha mudado? Reinaldo Azevedo, reaça de carteirinha, fez um texto que em resumo fala o seguinte: Violência em São Paulo (a do Alckmin, do PSDB) foi justificada por atos de vandalismo, porém a insatisfação dos jovens é com a política de transportes do prefeito (Haddad, do PT) e que a violência do governador do DF (Agnelo, do PT) contra os manifestantes durante a Copa das Confederações foi injustificada porque o protesto era pacífico. Veja só a tentativa de sequestro que parece começar a acontecer aí.
Bem antes disso, durante os protestos contra o deputado Marcos Feliciano em Brasília, a presidenta Dilma deixou clara a sua posição através do silêncio e da omissão. Uma anuência silenciosa que é fruto da "governabilidade". E nesse momento, de repente, o Aécio Neves diz que é a favor do casamento igualitário, tentando cooptar as pessoas que estão insatisfeitas com essa postura do governo, mas sem de fato defender a causa. Não estou vendo o Aécio militar pelo casamento igualitário, como faz, por exemplo, o deputado Jean Wyllys. Como sabemos, há uma grande diferença entre o falar e o fazer dos políticos, daí a explicação para tanta contradição ideológica.
Eu sou filha de petistas. Meus pais nunca votaram pelo PSDB (ou qualquer outro partido). São pessoas cegas pelo PT, agarradas ao que o partido um dia já foi. Eu não. Consigo ver a diferença do PT de Erundina e o PT de Haddad. Mas mesmo isso não me faz acreditar que entregar o nosso país nas mãos da direita seja a solução para os problemas. Agora é a revista VEJA, mas outros virão. Outros oportunistas tentarão nos convencer de que governos de direita são melhores. Precisamos estar preparados para negar.


Perfeito o seu texto. Uma coisa que não me sai da cabeça: no mesmo dia em que foram feitas as manifestações contra a Copa, havia um grupo de feministas lutando contra o Estatuto do Nascituro. Todos apenas se calaram a respeito. por que mesmo?
ResponderExcluirO Ato das feministas estava marcado muito antes do protesto do grupo Copa para quem.
ExcluirEu sou povo e não preciso de uma bandeira de partido me representando nessa luta, essas 15 mil pessoas que estão indo neste exato momento para o mineirão também pensam como eu, se for levantar uma bandeira que seja uma verde e amarela.
ResponderExcluirNão tenho problema com partidos que apóiam a causa, o que eu não gosto e acho perigoso são partidos que entram no jogo sorrateiramente com o intuito de desvirtuar o movimento.
ExcluirDesculpa Gizelli, mas no Brasil não existe mais direita nem esquerda. Aliás, nem partidos políticos existem, existe apenas e tão somente "farinha pouca, meu pirão primeiro". E nisso se inclui a bancada evangélica, ou vc acha que eles querem o quê com essas PECs estapafúrdias contra gays? Mais dízimo, oras pipocas.
ResponderExcluirA mídia é que tem mais ou menos posição política, desde a direita mais escrota, até um centro levemente (mas levemente mesmo) inclinado à esquerda.
E o que é pior, o que nós temos são só mídia E políticos absolutistas, totalitaristas, fascinados pelo poder ditatorial acima de tudo. As elites no Brasil não estão preparadas para a democracia de jeito nenhum, haja vista a reação apatetada tanto da Dilma, quanto do Lula, quanto do Alckmin, quanto do FHC, sem contar Zé Sarney saindo de fininho do Congresso pela porta dos fundos, estas últimas semanas.
Precisamos desesperadamente de políticos com o mínimo de vergonha na cara, que não fujam à contradita e que sejam capazes de sentar e discutir as questões civilizadamente, ao invés de tentar socar o que eles querem goela abaixo de todo mundo à força, coisa que aliás iguala o Feliciano e suas loucuras homofóbicas à tia Dilma que quer empurrar um plebiscito de 500 milhões de reais que NINGUÉM pediu, só porque ela não quer ser obrigada a desagradar o Congresso que ela paga a peso de ouro para aprovar o que quer que ela queira.
E precisamos desesperadamente de mídia que seja igualmente DO CONTRA em relação a qualquer governo, partido político, pessoa física participante da política, etc. Jornalismo bom é aquele que vê defeito EM TUDO E EM TODOS, se fosse pra mostrar o bonito não era jornalismo, era Publicidade e Propaganda.