domingo, 29 de março de 2015

Kingsmansplaining - Já deu de machismo nerd, né, gente? melhorem!

Lamentável. Não tem outra forma de definir o final de Kingsman. 



O resto do filme é ótimo e muito divertido. Enquanto eu assistia, já pensava no texto que postaria aqui, falando da personagem Gazelle, uma mulher não-branca, com as duas pernas amputadas na altura do joelho, que usa suas próteses como armas letais.  Eu queria vir aqui hoje celebrar essa personagem, dizer que eu adoro o Colin Firth, que achei interessante terem colocado trama de fundo com violência doméstica. Enfim, muitas coisas para falar mas, sinceramente, tudo ficou meio enevoado depois do final LAMENTÁVEL.

O filme conta a história do personagem Eggsy Unwin que participa de uma seleção para ocupar a vaga de um agente kingsman, um grupo britânico ultra secreto. No caminho se depara com um vilão que tem um plano para diminuir drasticamente a população mundial, para que a Terra se recupere dos danos causados pelos seres humanos. Conta com atores incríveis, como Colin Firth e Samuel L. Jackson.

O enorme problema é que há uma personagem no filme, a princesa Tilde, que existe unicamente para que haja uma piada misógina ao final. Explicando a cena: Ela está presa em uma cela. O herói do filme a encontra e diz (em tom de brincadeira) que só vai tirá-la se ela der um beijo nele, pois ele sempre quis beijar uma princesa. Ela responde que se ele tirá-la de lá, vai dar muito mais que isso. Quando ele diz que vai salvar o mundo, ela diz que vai até deixá-lo usar a "Porta dos fundos". Quando ele conclui a tarefa, ele vai até a cela dela, onde ela o espera com a bunda de fora, aliás a câmera dá um close na bunda dela. ISSO MESMO. Fecha o filme com essa gag.

Em nenhum outro momento do filme existe qualquer tom misógino, o personagem principal é um jovem rapaz que se solidariza com a sua mãe, Michelle, porque ela está em um relacionamento abusivo, é carinhoso com sua irmãzinha mais nova, tem uma concorrente e amiga, a Roxy, que ele trata com respeito durante todo o filme. Ele vê a Gazelle como uma ameaça, ele não a subestima em nenhum momento. Portanto, a piada nem sequer faz sentido com o personagem que foi apresentado. Até então, o filme tinha a minha confiança. Eu havia embarcado completamente naquela história e sentia que era um bom filme para as mulheres (não seria ótimo porque, convenhamos, é apenas mais um herói-homem-hetero-branco). Portanto, a piada ficou ainda mais rasteira, mais gratuita.

Depois quando nós falamos o quanto o universo pop e de quadrinhos está claramente afogado no machismo, nós é que somos chatas. Foi isso o que Matthew Vaughn, diretor do filme, disse. Nós, as feministas, é que não sabemos rir. Ele argumentou que a agência de sugerir o sexo foi da mulher, por isso a piada seria até mesmo empoderadora e que ele não era misógino. 

Acho tão significativo que a personagem em questão seja uma princesa, tradicionalmente princesas aprisionadas servem de motivação para o herói. A piada aqui é óbvia, muito requentada. Mas piora. Sendo mulher e me imaginando na situação dela, há dias presa, sabendo que o mundo como ela conhecia estava prestes a acabar, eu jamais teria desejo de fazer sexo com um total desconhecido, como se em vez de estar aprisionada, ela estivesse numa balada procurando um parceiro, sabe? As emoções da personagem foram completamente desconsideradas. 

A princesa Tilde tem uma cena empoderadora. Ela estava presa porque se negou corajosamente a ajudar o Valentine, vilão do filme. Depois de presa, ela negou novamente participar dos planos dele. Isso é empoderamento. Mas ao torná-la a recompensa do herói. A "Bond" Girl do Kingsman, ele retirou essa força da personagem. Se ele queria empoderar uma mulher sexualmente, porque não subverter essa lógica de que o herói salva a mocinha em troca do seu amor, e pensasse na Roxy como protagonista dessa cena? E se ela fosse recompensada sexualmente? E o que acharia a audiência de um nu masculino sexualizado? Tenho certeza de que não seria tão bem recebido quanto o close na bunda da princesa, mas afinal não é disso que se trata uma sátira? Mesmo assim, não tenho a certeza de que seria uma boa idéia, porque um homem estranho oferecendo-se sexualmente para uma mulher costuma ser puro assédio. O ideal mesmo seria cortar esta cena, não apenas do filme, mas do imaginário nerd.

O filme deveria se chamar "Kingsmansplaining". Para quem não conhece o termo "mansplaining", ele pode ser definido como a mania que os homens tem de explicar para as mulheres algo que elas sabem o que é, às vezes muito melhor do que eles. Acontece muito com mulheres feministas. O autor afirma que não é misógino mas, para começar, ele não é mulher. Não está em suas mãos definir o que é ou não ofensivo para as mulheres. Mesmo que não tenha sido sua intenção, misoginia não intencional ainda é misoginia. Embora eu acredite que, depois de tanto se falar em machismo nerd, fica difícil supor que houve misoginia não intencional. Na minha opinião, o diretor marcou seu ponto de vista com a piadinha. Ele vê as mulheres das mesma forma que as retrata: Ele até entende que elas são inteligentes como a Roxy, que elas são fortes e determinadas, como a Gazelle, firmes, como a Tilde e às vezes vulneráveis, como Michelle, mas no final do dia, elas vão mesmo é servir para aquecer a cama do herói, para ser mais um nome na sua listinha de recompensas e motivações. No fim, é sempre a visão masculina que prevalece. É como se ele observasse a discussão em torno do machismo nerd de fora e dissesse: Até posso ceder em um ou outro ponto, mas não quero perder de vez o meu privilégio de objetificar mulheres.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

São Luís (parte 1): Porque fiquei positivamente surpresa com a cidade

Este ano bateu o desejo de conhecer São Luís. Eu, que nasci e morei no Pará por anos, que tenho muitos familiares no Piauí, sempre estive pelo maranhão apenas de passagem. De repente, a idéia de viajar para São Luís para conhecer a cidade foi ganhando espaço. Comecei a pesquisar na internet sobre a cidade e tenho que dizer que foi difícil encontrar informações, não encontrei guias impressos sobre o Maranhão e não encontrei tantas informações assim usando o Google. Repetem-se as mesmas dicas, os mesmos pontos turísticos, grande parte deles no centro histórico. Mas e a parte nova da cidade? Não existem museus, centros de cultura e outras coisas interessantes para conhecer na parte nova da cidade? Jamais saberei.

Quando eu viajo para uma cidade gosto de explorar endereços inusitados, curiosos e que nem sempre fazem parte do circuito tradicional de turismo. Tem uma série de guias turísticos impressos que adoro, se chama "Endereços curiosos de (...)", seria maravilhoso se um dos volumes fosse sobre São Luís (eu imagino que seria um guia riquíssimo, pois há muitos endereços curiosos em São Luís). Também não encontrei um guia gastronômico de São Luís, como quase tudo, encontrei dicas dos mesmos restaurantes, sempre dispersos em blogs não especializados na internet. Ou era a blogueira de moda que recomendava o restaurante X ou o site de turismo que recomendava o mesmo restaurante. Faltam sites especializados em gastronomia maranhense (que aliás é uma delícia!), o único que encontrei é bem recente.

Li muitos depoimentos de visitantes (a maior parte deles eram moradores do sudeste do Brasil), falando muito mal da experiência de conhecer a cidade. Tudo levava a crer que seria uma experiência decepcionante. Felizmente, a minha determinação de visitar São Luís foi maior. Por isso, resolvi falar sobre como as minhas impressões foram diferentes do que havia lido e ouvido por aí. Eu acredito que muitas das pessoas que reclamaram de São Luís esperavam encontrar no nordeste outro sudeste, ou um nordeste romantizado que só existe na imaginação das pessoas mesmo.

"As praias são horríveis e poluídas"

Horrível!? Onde?

São Luís é uma cidade atípica, situada em uma ilha (mas bem próxima ao continente), podemos visualizar uma orla bem generosa, mas que não é paradisíaca como grande parte das praias nordestinas. As águas não são de azul cristalino. A tonalidade é esverdeada e densa, não dá para ver o fundo. A areia é branca e muito, muito, muito fininha. O clima é bem quente, mas como venta! a brisa do mar corre por todos os cantinhos da cidade. A areia entra nos seus olhos, na sua boca, no seu nariz. Ela gruda em todo o seu corpo, ainda que você tenha ido apenas fazer uma caminhada rápida no calçadão e nem tenha pisado na areia de fato. Alguns quiosques da orla são completamente fechados com painéis de vidro para evitar que o vento vá levando tudo embora.

Passei pela praia em dias de semana e sempre havia movimento, vida, não dá para perder de vista o próximo quiosque para tomar uma água de côco. De noite, o movimento é bem menor e se resume aos quiosques. A orla mais badalada à noite está na praia do Calhau, na minha opinião, a praia urbana mais bonita de São Luís. Não vá às praias Ludovicenses procurando uma foto de algum pôster caribenho, contudo, não passei por nenhuma praia horrível, não.

As condições de balneabilidade variam, por onde estive sempre havia bastante gente tomando banho de mar tranquilamente. Vi pouquíssimo lixo nas praias. Inclusive a maré abaixa muito, deixando uma faixa muito larga de areia e é possível perceber a ausência de lixo no mar. Também não senti nenhum odor característico de esgoto, nada, nada, nada. Não vi nenhuma placa alertando para más condições de balneabilidade nesta época do ano. Entrei no mar, estou viva e saudável, sem nenhuma frieira, coceira, nada. 

Entretanto acho que cabe uma crítica: deveria haver mais equipamento urbano, banheiros, calçadas maiores, ciclovias, bancos e etc. Isso ajudaria a dar mais vida noturna para as praias. Na praia de Ponta D'areia, onde acabaram de inaugurar o "Espigão Costeiro" (uma obra de engenharia para conter a erosão que seguia em direção aos prédios chiques da cidade), começaram a delinear melhor uma estrutura desse tipo, seria interessante que seguisse em direção às outras praias da cidade. 

"Dá medo andar por São Luís"

Gente. Gente. Como assim? Um vendedor em uma das lojinhas de artesanato me falou que depois das "pacificações" no Rio de Janeiro, a violência aumentou no Nordeste, sugerindo que o tráfico hoje é polinuclear. Também vi várias notícias sobre fugas do presídio de Pedrinhas. Apesar disso, São Luís é como qualquer capital do Brasil, tem que tomar os cuidados de sempre: Se você vai andar pelas zonas turísticas da cidade, tente não andar por lugares ermos, e leve por aí apenas o essencial e tal. Nada demais. 

"O Centro Histórico está caindo aos pedaços"

Uma das ruas mais preservadinhas

Longe de mim dizer que não existem problemas, mas o meu ponto é: Quando a gente visita o Rio de Janeiro, nós focamos as nossas impressões em quê? O centrão do Rio de Janeiro também não está super bem cuidadinho, não. Mas voltamos para casa falando em cidade maravilhosa. E Brasília, essa cidade tão jovem, você conhece o Setor Comercial Sul? E o centro antigo de São Paulo? E o centro antigo de BH (cidade onde já morei e amo muito)?  E o centrão de Fortaleza? Há muita degradação nas áreas antigas e comerciais das cidades, é comum.

Acho que o que deixa as pessoas chocadas é que São Luís tem um casario tombado pelo IPHAN (considerado o maior conjunto arquitetônico português fora de Portugal) e mesmo assim a degradação urbana permanece. As pessoas vão à São Luís esperando o mesmo cuidado que existe em Ouro Preto, por exemplo. Mas vamos recordar que Minas Gerais é um dos estados mais ricos do Brasil e que Ouro Preto apesar de ter uma área de município maior, tem uma área urbana menor, uma população e densidade muito menor e etc. Ouro Preto é uma cidade incrível, mas que não tem a complexidade e as contradições próprias de uma grande cidade. 

O casario de São Luís não está tão conservado, exceto por áreas pontuais, como a Rua Portugal. As edificações mais conservadas são aquelas utilizadas por órgãos públicos ou com algum uso que recebe patrocínio do governo. Também observamos que muitos casarões estão sendo reformados por uma iniciativa chamada de "Casa do Maranhão". Me parece que em breve haverá vários museus com temas específicos do maranhão (inclusive um museu da gastronomia maranhense que já me deixou louca de vontade de voltar quando ficar pronto).

Uma coisa que me deixou muito impressionada com o Centro Histórico é a quantidade de pequenos museus e centros de cultura, muitos deles eu nunca li nada a respeito na internet (Ou se li foi em alguma descrição tão superficial que não me chamou atenção). E em todos os espaços culturais que entrei há um guia preparado para atender os visitantes (sempre peça as visitas guiadas). Todos, sem exceção, foram muito gentis e atenciosos. Acho que, se de um lado existe um governo omisso, há também muita boa vontade das pessoas em resgatar e preservar a cultura maranhense. Então, antes de focar no "Centro Histórico caindo aos pedaços" eu me lembrarei do "Centro Histórico orgulhoso da cultura maranhense". 

A crítica que faço ao Centro Histórico é que apesar de ser um lugar lindíssimo, deveria haver mais ruas exclusivas para pedestres. Há espaços que ficam dominados pelos carros e que poderiam ser tomados pelas pessoas. Mas esta também é uma crítica que se estende à diversos centros urbanos pelo país. Eu acho que São Luís vale demais a visita, por ser uma cidade única e tão cheia de cultura.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Valorize as Minas: Que venham as férias!

Finalmente chegou dezembro e espero que possamos nos despedir de 2014 logo. Este ano que já teve 45 meses. Novo mene da atéia que acredita em superstição: Eu acredito em ano novo, energias renovadas, novos ares. Porque estou falando isso agora, no início de dezembro? Porque eu estou entrando de férias do blog hoje, volto ano que vem!

Então, desejo a todas um ótimo finalzinho de 2014, que nossos forninhos estejam seguros em 2015.

Boas festas :)

E corram para o cinema para assistir Mockinjay parte 1


Transexualidade:

Transexual, a busca pela identidade: terceira parte da entrevista com Daniela Andrade.

Parents place "retraction" to birth announcement to show support for trans son: Em um mundo em que grande parte das pessoas trans são expulsas de casa quando assumem sua identidade de gênero, os pais de um jovem trans arranjaram uma forma doce e linda de mostrar apoio. <3

Literatura e Cinema

Comentando a primeira parte de Mockinjay (Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1) : A Valéria faz uma ótima análise do filme (Com alguns spoilers). E não deixe de ler este texto sobre as plantas mencionadas em Jogos Vorazes (Não tem nada a ver com feminismo, mas achei tão sensacional!)

Mulheres negras na literatura: De Carolina à Luma, questões raciais e de gênero : Uma entrevista ótima com a poeta e educadora Luma de Lima Oliveira sobre Carolina Maria de Jesus e as dificuldades encontradas pelas escritoras negras.

Games:

The Gaming Industry's Greatest Adversary Is Just Getting Started:  Um texto sobre Anita Sarkeesian e o assédio que tem sido o background da sua vida.

Game Reviewer Alanah Pearce Is Contacting The Mothers Of Boys Who Sent Her Rape Threats : Uma crítica de games está usando uma técnica interessante contra o assédio e ameaças virtuais que recebe. Ela percebeu que muitas vezes as ameaças partem de garotos menores de idade, então, ela os delata para os seus pais.

Música:

Friday Playlist: Where My Girls At? : Playlist com músicas de girls bands <3

Solidariedade:

#ForçaAndressa : Andressa Urarch foi a vítima célebre do padrão de beleza esta semana. Não bastasse entrar em coma, ainda está sendo chamada de fútil e louca pela mesma sociedade que impõe os padrões.

Victoria Lopes: Relatos de um dia de Albino César : As blogueiras negras lançaram uma nota em apoio à Victória, uma adolescente negra que foi espancada por SEIS policiais na saída da escola. 

O estigma da vítima : Qualquer mulher pode ser uma vítima e isso não é sinônimo de ser fraca ou ser passiva diante das situações opressivas. Esse é um engano comum e que, inclusive, já levou a casos em que o judiciário favoreceu o agressor, porque afinal a vítima não era a "vítima ideal" (no sentido de idealizada, aquela vítima que existe na cabeça das pessoas).

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Valorize As Minas: Não deu :(



Oi, pessoal. Devido à severíssima falta de tempo esta semana, hoje não tem texto introdutório e temos também menos links. :(

Espero que gostem da seleção de hoje!

Sexo e As Negas/ Representação televisiva da mulher negra:

Debate ao vivo: A Mulher Negra na Televisão Brasileira : Excelente debate entre três mulheres negras sobre a representação da mulher na televisão brasileiras, especialmente na série "O sexo e as negas" e no carnaval.

Quando um homem esfrega teoria na nossa cara: Sobre Jean Wyllys e a mulher negra que ousa falar : Um texto que analisa o posicionamento do deputado Jean Wyllys.

Literatura

A surpresa da literatura negra: Texto sobre a importância da geração de escritoras negras, nascidas na África, mas que vivem em outros países do mundo.

Representação feminina:

Natalie Dormer Talks ‘Hunger Games,’ Feminism, and Why ‘Game of Thrones’ Needs More Dick : Entrevista com a atriz Natalie Dormer em que ela fala de suas personagens em Jogos Vorazes e GoT e também se afirma feminista.

A representação feminina em Interestelar : Minha percepção sobre os erros e acertos de representação feminina em um filme que assisti e amei. A Sybylla também escreveu sobre isto.

Literally the Best Thing Ever: Lucy and Ethel : Um texto sobre a amizade entre duas personagens na icônica série "I love Lucy".

Teoria Feminista:

As diversas ondas do feminismo acadêmico : Um texto curtinho sobre teoria feminista, achei muito legal porque pode servir como introdução à teoria para quem quiser se informar mais a fundo sobre a história do feminismo.

O feminismo não é um humanismo : Tradução de um texto da filósofa Beatriz Preciado. Texto muito interessante que ainda estou digerindo. A autora defende que o feminismo na verdade é um animalismo.

Dia Internacional da Memória Trans:

Transgender, Dead, and Forgotten : Texto sobre o dia 20 de novembro, que é o Dia Internacional da Memória Trans, para lembrar das pessoas trans que foram assassinadas por transfobia.

Remembering Us When We’re Gone, Ignoring Us While We’re Here: Trans Women Deserve More : Além de lembrar das mulheres trans que perderam suas vidas, o que pode ser feito por aquelas que estão vivas?

Panorama Mundial:

Marissa Alexander agrees to plea deal : Marissa que seria possivelmente condenada à prisão por se defender de seu marido agressor fez um acordo e recebeu uma pena de 3 anos, considerado o tempo que ela já esteve presa, ela deve sair da prisão em janeiro. Ótimo. Ou não. Que mundo é esse em que uma mulher vai para a prisão por três anos porque se defendeu de um agressor?

Eu queria ter selecionado uns links bacanas sobre Ferguson mas não tive tempo de ler! 

Toda quinta-feira tem Valorize As Minas! Volte sempre!

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

A representação feminina em Interestelar



Interestelar, novo filme de Christopher Nolan, é um daqueles filmes que ficam se repetindo na memória. Você sai do cinema ainda cheio de reflexões para amadurecer, talvez por isso eu tenha demorado um bocado para escrever este texto. O filme é grandioso, emocionante. Como fã de ficção científica, posso dizer que Interestelar é maravilhoso. É um filme corajoso, que devolve ao cinema o tema da exploração espacial e gera perguntas fundamentais para nós, que hoje vivemos aqui na Terra. Como feminista, conhecendo um pouco sobre o debate da representação feminina, afirmo que o filme poderia ter sido melhor se houvesse um pouco mais de cuidado no roteiro. Sabe aquela sensação de bola na trave?

Spoilers leves

Em Interestelar, descobrimos que a Terra está devastada devido  às mudanças climáticas. Tempestades de areia são comuns e provocam graves doenças respiratórias. Há pragas que praticamente destruíram a capacidade do ser humano de produzir alimentos. Todos os recursos do planeta estão direcionados para o plantio de alimentos. No filme, acompanhamos Cooper (Interpretado por Matthew McConaughey), ex-engenheiro e ex-piloto da NASA, que como a maior parte das pessoas, se tornou fazendeiro. Cooper é viúvo e tem dois filhos, o Tom e a Murph. Cooper acaba se tornando o piloto de um missão cujo "plano A" é encontrar um novo planeta habitável para os seres humanos e transportá-los até lá e o "plano B" é levar material genético para perpetuar a espécie neste outro planeta. 

Houve uma expedição anterior que levou um primeiro grupo de cientistas para explorar três planetas potenciais, a missão de Cooper é descobrir qual planeta é o mais apropriado para a sobrevivência da espécie, enquanto isso, na terra, a base tentaria descobrir uma maneira de transportar os seres humanos para o planeta escolhido.

Além de toda a ciência envolvida, de todas as teorias explicadas e desenvolvidas em tela, o filme gera uma reflexão simples: Este é o planeta que nós vivemos. Você consegue imaginar uma realidade em que nada mais importa, além da produção de alimentos? Imagine o desespero de ver todas as culturas sendo uma a uma devastada por pragas, até que só sobre milho. Mais nada. Que todos os recursos tenham se esgotado e a única esperança é viajar para uma galáxia distante. Agora se lembre que estamos no meio de uma crise hídrica no Brasil, que o Cerrado está extinto, que a Amazônia está sendo desmatada, que o clima está evidentemente mais quente a cada ano, que grande parte de nossos políticos e gestores não está interessada em manter, apenas em usufruir. O Nosso planeta é um recurso que precisa ser gerido de forma mais responsável. Talvez seja este o ponto forte do filme, como uma boa distopia, ele nos faz observar os rumos que estamos tomando no momento presente.

Spoilers severos

Há duas mulheres em papéis importantes na trama: A Dr. Brand, cientista da NASA, interpretada por Anne Hathaway e Murph, a filha de Cooper, interpretada por três atrizes em diferentes fases da vida (Mackenzie Foy quando criança, Jessica Chanstain quando adulta e Ellen Burstyn, quando idosa). A existência destas personagens, em si, é um avanço representativo já que, apesar de encontrarmos grandes personagens na ficção científica, como Ellen Ripley (Alien), Ellie Arroway (Contato), Ryan Stone (Gravidade), Katniss Everdeen (Jogos Vorazes) entre outras, este ainda é um gênero substancialmente masculino. Mesmo entre estas, apenas duas são cientistas. Fato que espelha uma realidade avassaladora, uma enorme disparidade de gênero no ensino de STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). O fato do filme colocar não uma, mas duas personagens mulheres muito importantes para a trama é digno de nota.

Dr. Amelia Brand:



Brand é a cientista encumbida de garantir o plano B: transportar o material genético humano para o planeta escolhido. O plano B me incomoda um bocado. No plano B, as mulheres teriam a função de repovoar a terra através de inseminação artificial, o que lembra muito o conto escrito pela Aline Valek, para a coletânea Universo Desconstruído. No conto "Eu, incubadora" a maternidade é compulsória, as mulheres são verdadeiras incubadoras já que os direitos do nascituro são mais abrangentes do que os da mulher. As mulheres são incentivadas a terem mais filhos e o aborto é terminantemente proibido (Alguma semelhança com a realidade?). Pois bem, eu temo que num futuro proporcionado pelo plano B as mulheres seriam vítimas de enormes violações de direitos humanos em nome da perpetuação da espécie, claro que ninguém menciona este aspecto problemático no plano B durante o filme.

Enfim, o plano B foi cair justamente nas mãos de uma mulher. Coincidência? Eu acho que é uma metáfora para a própria maternidade. A mulher é claro, é antes de tudo a mãe. É a cientista, mas também a mãe. Aquela sob quem residirá a tarefa de perpetuar a espécie.

Me incomodou bastante que Brand tenha grande responsabilidade na falha da missão. Ao tentar recuperar os dados no planeta submerso e não obedecer a ordem de Cooper, ela fez com que eles gastassem muito tempo em gravidade severa, causando um enorme lapso temporal entre os cientistas e os sobreviventes na Terra. Em outras palavras, ela foi a responsável por Cooper não ter acompanhado os seus filhos crescerem. 

Além disso, há um momento em que eles precisam fazer uma escolha dramática: Eles já foram ao planeta submerso e perderam muito tempo e combustível (por causa de Brand). Agora eles precisam optar, se quiserem retornar à Terra, ou vão para o planeta do Dr. Mann, ou para o planeta do Dr. Edmunds. Ir para os dois planetas significaria uma missão sem volta. Amelia faz uma defesa do planeta do Dr. Edmunds, não porque este é o melhor planeta, mas porque segundo ela: " O amor não é algo inventado. É observável, poderoso, e tem que significar alguma coisa... O amor é a única coisa que somos capazes de perceber que transcende o tempo e o espaço". Sim, ela era apaixonada pelo Dr. Edmunds. Achei que foi um reforço do estereótipo da sensibilidade feminina, da mulher como ser emotivo, pouco racional. Talvez se outro personagem estivesse na situação dela, eu não teria achado o discurso ruim, porém, quando dito por uma personagem mulher, soa apenas como mais do mesmo. 

Murph Cooper:



Murph começa o filme como uma garotinha de uns 10 anos que percebe uma anomalia em seu quarto, que ela chama de "fantasma". Os livros de sua estante constantemente caem sem que ninguém os toque. Murph é incentivada por seu pai a analisar o fenômeno criticamente, observar e fazer anotações. Pessoalmente, achei este momento incrível, já que meninas em geral não são estimuladas a desenvolver habilidades científicas, matemáticas, espaciais e etc.

Imagine só o tipo de brincadeiras que são associadas às meninas: Todos os caminhos levam ao lar e à maternidade. Enquanto os meninos são exploradores, bombeiros, cientistas e etc. Ao brincar de carrinho, um menino desenvolve habilidades matemáticas, ele entende a noção básica por exemplo, de velocidade, acelaração, atrito e etc. Até mesmo Lego, um brinquedo que pode ser considerado neutro, e que desenvolve habilidades espaciais, há mais de 30 anos faz publicidade para meninos. Portanto, quando Cooper incentiva a sua filha a desenvolver a inclinação que ela já possuía para a ciência, ele nos mostra que sim, mulheres podem ser cientistas. É maravilhoso que o filme tenha a sensibilidade de escolher Murph e não o seu irmão Tom, como aquela que seguirá uma carreira científica, enquanto seu irmão escolhe viver na fazenda, com esposa e filhos. Murph e Tom representam as duas facetas da humanidade: A que luta pelo futuro e a que se acomodou com a  dura realidade.



Quando cresce, Murphy, agora cientista, descobre que o "fantasma" do seu quarto, na verdade era seu pai, que encontrava-se em uma espécie de quinta dimensão. Através dos dados fornecidos por Cooper, ela é capaz de criar o modelo de estação espacial que salvará os seres humanos. Ela celebra o fato dando um beijo em um colega cientista. Veja, o único beijo do filme, é dado por uma mulher, para celebrar uma conquista científica. Super normal, né, gente? Novamente, uma sutil romantização da mulher. O filme teria passado tão melhor sem isso.

Quando finalmente Cooper retorna de sua missão, sua filha, agora idosa, explica para ele que ela não é importante, que ele é que foi o grande cientista que possibilitou todo o avanço tecnológico e a salvação da humanidade. Ela inclusive diz que ele tem coisa mais importante para fazer do que ficar ali com ela, que ele deveria voltar e encontrar a Doutora Brand, que estaria sozinha em um planeta em outra galáxia. Nessa hora eu me pergunto: Qual a necessidade disso? Bastaria que os dois se encontrassem, que palavras de amor entre pai e filha fossem trocadas e pronto. Eu vi esta cena como um apagamento de uma vida inteira como cientista. A própria cientista descreditou o seu trabalho.

Isto é muito problemático, pois sabemos que o apagamento das mulheres cientistas é um fato. Mulheres cientistas costumeiramente foram esquecidas, apagadas da história, seu trabalho muitas vezes foi creditado a homens que tiveram carreiras visíveis, foram laureados com prêmios e etc. Na minha opinião, este é o maior erro de representação feminina em Interestelar. 

Por tudo isso, concluo que as mulheres desse filme são inteligentes, são assertivas, são inspiradoras. Porém, este filme é sobre a jornada de Cooper, ele é o herói motivado pela sobrevivência de seus filhos, ele tem os ideais elevados e são os seus atos que realmente influenciam toda a história, que se fecha num círculo em volta de Cooper. Ele, ele, ele. O filme é bom, sim. Melhor que bom, é ótimo. Mas não vá ao cinema esperando um tratado de feminismo, pois ainda não foi desta vez.

Mais sobre o assunto:

As mulheres de Interestelar

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Valorize As Minas: Ofensas masculinas e seus pedidos de desculpas

Matt Taylor e sua camisa ridícula

Quero comentar rapidamente três casos de homens, suas ofensas e seus pedidos (ou não) de desculpas. O primeiro de todos é o tal do Julien Blanc, que após ter seu visto negado pelo Brasil resolveu se desculpar em entrevista na CNN. Julien Blanc é um sujeito que dá palestras que ensinam os homens a "pegar mulher" usando técnicas abusivas e coercitivas. Resolvi postar o link para essa entrevista por causa da direção que deu o entrevistador. Enquanto Julien disse basicamente que não foi sua intenção ofender ninguém e que era tudo brincadeirinha, o apresentador apontou que este era um padrão de comportamento e não uma questão pontual. Julien nega o conteúdo de suas palestras, nega que tenha ensinado homens a abusarem de mulheres. Ele se desculpa enquanto nega absolutamente tudo.

O segundo caso é o do cientista Matt Taylor. Matt é um dos cientistas que pousaram a sonda Philae em um cometa, um fato histórico a ser celebrado. Na entrevista coletiva, Matt usou uma camisa cheia de mulheres objetificadas. É a evolução da gravata de mulher pelada do Didi, lembram? Pois é. Sabemos que a ciência ainda é um ramo do conhecimento dominado por homens e que mulheres são desestimuladas a iniciar carreiras científicas desde cedo. De alguma forma, a camisa dele é um lembrete de quais são as funções oferecidas aos homens e às mulheres no mundo. Me chamou a atenção que a maior parte daqueles que se sentem desconfortáveis com essa crítica argumentam que "é só uma camisa". É curioso porque as mulheres são julgadas o tempo todo por aquilo que vestem, sua imagem é milimetricamente examinada em todas as situações. Imaginem que fosse uma cientista na entrevista usando uma roupa curta. Seria ridicularizada, exposta, objetificada. Mas a roupa de um homem é só uma roupa. Enfim, Matt, arrependido, pede desculpas e chora, diz que foi um erro usar aquela camisa. Foi um erro, sim. 

Também esta semana tivemos uma figura querida pelos movimentos sociais falando merda. Jean Wyllys, considerado por muitos de nós um dos melhores deputados do Brasil, resolveu apoiar o Miguel Falabella no caso do Sexo e As Negas, minissérie que estereotipa as mulheres negras (Quem não está a par do assunto, vou deixar alguns links aí embaixo). Em suma, ele disse que é um grupo radical dentro do movimento negro que sustenta as críticas. Jean não teve a sensibilidade de perceber quem forma este grupo: Mulheres negras. As mulheres que se sentem ofendidas, vilipendiadas pelo programa de Miguel Falabella, algumas das quais tem sido perseguidas por expor suas opiniões sobre racismo. Jean não pensou que talvez endossar Miguel Falabella significa virar as costas para quem, em geral, sofre mais violência sexual, está na base da nossa pirâmide social e econômica, sofre preconceito institucional. A violência simbólica do corpo negro como corpo unicamente sexual reforça e dá margem para o estabelecimento da violência física e do cerceamento da liberdade, inclusive da liberdade sexual e reprodutiva. Jean não está arrependido e nem acredito que pedirá desculpas.

Está claro que Julien não se arrepende, já que nega ter qualquer comportamento abusivo. Ele se arrepende de ter sido descuidado o suficiente para ser apontado como abusador. Eu acredito na sinceridade do choro de Matt, mas não na concretude de suas ações, em geral as pessoas não querem observar que há algo de Julien dentro de si, que o machismo que fundamenta as ações de Julien é apoiado por pequenas ações simbólicas também, como por exemplo, representar um grande avanço científico usando uma camisa objetificadora. Ou mesmo trabalhar em qualquer situação com uma camisa que pode ofender as suas companheiras de trabalho. Sobre o Jean, estarei ao seu lado para defender os direitos da população LGBT, mas antes ouvirei o que ele, que é gay, tem a dizer sobre a sua causa especificamente. Jean deveria fazer o mesmo com aquilo que não diz lhe respeito: ouvir as mulheres negras, pois o que elas estão dizendo é muito mais profundo e relevante do que a contra-crítica que ele fez.

Apontar nomes, criticar discursos, exigir retratação e atitudes concretas de pessoas como Julien, Matt e Jean não significa que estamos colocando todos eles na mesma posição. Nem que esquecemos que o mundo é maior e que precisamos de mudanças estruturais. Não é possível limitar o feminismo a uma única estratégia de ação. Não somos nós, mulheres e feministas, que estamos agindo para "destruir reputações", estamos apenas tentando fazer deste um mundo mais justo e seguro para todas as mulheres. Sabemos que os discursos e ações destes homens não são exclusividade deles. Nem sempre a estratégia do apontamento é a melhor, nestes três casos específicos, ela ajuda estabelecer o elo simbólico: Do homem que ensina outros homens a abusar de mulheres (como acontece naturalmente em nossa sociedade e ninguém precisa pagar rios de dinheiro para adquirir esse conhecimento), do cientista insensível à forma como as mulheres são percebidas, inclusive por ele mesmo, em seu campo de atuação (que hoje tem um gap de 80-20!), e do aliado que tem limitações e não consegue representar plenamente a todos. 

Chega de textão! Vamos aos links da semana!

Sexo e As Nêgas: 

Ainda precisamos debater sobre Sexo e as Nêgas: A autora analisa as recentes atualizações do caso Sexo e as Nêgas, em que Miguel Falabella convocou as pessoas a se declararem a favor da série.

A página "Mães de Maio" fez uma resposta incrível ao vídeo de apoio do Jean Wyllys ao Miguel Falabella.

Mulheres Notáveis: 

Mulheres maravilhosas: Flora Matos :  Eu conheci a música da Flora já tem algum tempo. Se você não conhece, deveria parar um pouquinho o que você está fazendo e ouvir, ela é incrível.

Gordofobia: 

Mulheres Maravilhosas: Loey Lane :  Loey Lane é uma mulher gorda e ela gravou uma mensagem muito linda sobre o que ela sente a respeito do seu próprio corpo.

Documentário: Feminismo, Gordofobia e Plus Size DF :  Pequeno documentário em que mulheres gordas aqui da minha cidade (maravilhosas, cadê vocês na minha vida? me adiciona, me manda um telegrama, uma carta de amô), Brasília, contam suas experiências como mulheres gordas.

Raça:

A capa de Kim Kardashian tem uma questão racial da qual ninguém está falando : Tradução de um texto muito bom que mostra como a capa da Kim Kardashian é uma releitura de uma piada histórica que tem como alvo as mulheres negras.

Do luto, das letras, à luta : Editorial da Revista Geni deste mês, temático do mês da Consciência Negra. Tem link para todos os textos, que estão maravilhosos, gostei especialmente do texto sobre Carolina Maria de Jesus.

Representatividade:

Why 'Interstellar' Is Great for Women in STEM : Eu tenho algumas críticas a fazer sobre representação feminina em Interstellar, porém é inegável que o fato de vermos duas cientistas em papéis importantes para o filme e relevantes para o desenvolvimento da história é algo raro. E necessário para ajudar a diminuir o gap em STEM (Sigla que representa o ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática).

Katniss e os novos arquétipos femininos : Acho que estamos todos de acordo que a Katniss é foda.

Apóie as Minas:

Documentário Chega de fiu fiu : Que tal apoiar as minas para a realização de um documentário sobre o assédio de rua no Brasil? A meta final é conseguir 80 mil. A primeira fase do financiamento já foi alcançada em 24 horas (os primeiros 20 mil). 


Relatos tocantes:


"Orange is the new black" actress remembers coming home from school to learn that her family had been deported: Imagine só você chegar em casa depois da escola e descobrir que seus pais foram deportados. Foi essa a experiência de Diane Guerreiro, atriz americana, cujos pais e seu irmão mais velho são Colombianos.

Sofri um estupro, um aborto induzido e o julgamento de todos (TW estupro, aborto) : Infelizmente é a história de uma e também a realidade de muitas mulheres.

O que eu escrevi?

O companheirismo a toda prova de Harry e Hermione : Um texto sobre porque eu acho que o relacionamento de Harry e Hermione é o mais bem desenvolvido dos livros.

"Gorda serve apenas como ponto de referência" : Uma resposta às horríveis ofensas gordofóbicas de um PM aqui de Brasília.

Você gostou da seleção de links de hoje? Então volte sempre, toda semana eu faço uma lista das minhas leituras preferidas da semana! :)