quinta-feira, 13 de novembro de 2014

#ValorizeAsMinas: Angela Chase & Carrie Mathison

Esta semana reparei em uma coincidência, dois dos links que escolhi falam de personagens diferentes da Claire Danes, que de certa forma me marcaram em momentos diferentes da minha vida, A Angela Chase, de My So Called Life e a Carrie Mathison, de Homeland.

Angela Chase e Carrie Mathison
Acho que me identificava muito com a Angela Chase por todas as coisas (lindas e horríveis) que ela falava/pensava, sobre como ela ficava com raiva da mãe dela, como ela era uma ótima aluna e filha, e de repente cansou de tentar agradar. Eu passei por tudo isso também. Já a Carrie Mathison é outro nível, não de identificação, mas de admiração. Não posso dizer que gosto pessoalmente de nenhuma das duas personagens, como pessoas sei que elas são cheias de falhas profundas. Mas talvez seja exatamente isso que as tornam palpáveis, as tornam reais para mim.

E vamos lá, aos links da semana!

1. Mulheres Notáveis

Laerte, que mulher! Um texto sobre Laerte e seu feminismo. No fim um vídeo para a entrevista do Rafucko com Laerte, falando de feminismo, publicidade infantil, gênero e outros assuntos.

"Para cada 'trepadeira' lançada, há mil raps feministas empoderadores" : A pesquisadora e feminista negra Bianca Gonçalves, graduanda do curso de Letras pela USP, fala sobre empoderamento feminino no Hip Hop.

2. Comportamento

Da série: você não é obrigada : Não você não é obrigada a amar ninguém, nem mesmo seu pai ou sua mãe.

What Does It Mean To Be A ‘Good Woman’? : Eu amei este texto sobre o que é ser uma boa mulher, que termina falando um pouco sobre a série Homeland e sobre uma das minhas personagens favoritas, a protagonista, Carrie.

3. Maternidade e Infância

10 livros infantis que abordam os direitos humanos : Fiquei com vontade de ler todos eles!


4. Crítica

Eu que me odeio tanto : Crítica do primeiro episódio exibido pelo Fantástico da série "Eu que amo tanto". Um clássico caso de Nenvy & Nenverey.

5. Playlist

Friday Playlist: Hanging Out With Angela Chase and Rayanne Graff : Vocês que são 9vinhos talvez não conheçam Angela Chase e Rayanne Graff. Mas gente. GENTE. <3 Havia uma série adolescente maravilhosa nos anos 90, se chamava "My so called life", foi exibida no SBT com o nome de "Minha vida de cão", algo assim. Um título que não faz jus à série. Infelizmente, só foi produzida uma temporada, apesar das críticas entusiasmadas na época. O público americano não acompanhou uma série de adolescente que ia além de "Parker Lewis can't loose". Fica aí essa ótima playlist, cuja primeira parte foi feita pensando em Rayanne e a segunda parte na amizade de Rayanne e Angela.

6. Ciência

Lead ESA Scientist Wears Shirt Covered in Gratuitous Sexy Chicks For Comet Landing Livestream : Sabe a sonda que pousou no cometa? Maneiríssimo. Mas veja como o cientista estava vestido para a entrevista. É assim que as mulheres são super bem recebidas no meio científico, sabe?

O que é ser inteligente? As múltiplas dimensões da inteligência : Você sabe responder o que é a inteligência ou como ela é mensurada/ qualificada?

7. Estupro

Violência sexual, castigos físicos e preconceito na Faculdade de Medicina da USP (TW Estupro) : Várias denúncias escabrosas de casos ocorridos cotidianamente nas festas da Medicina da USP. O que esperar destes profissionais que estarão em poucos anos lidando diariamente a com a vida das pessoas, muitas vezes com pessoas vulneráveis, que poderão atender mulheres vítimas de estupro tais quais aquelas que eles vitimaram? O que esperar de um curso quase que inteiramente branco, quase que inteiramente formado por indivíduos da elite brasileira?

8. Panorama mundial

7 reasons to end immigrant detenction yesterday : Uma questão muito presente no feminismo americano é a interseccionalidade das culturas imigrantes, especialmente as latinas. Neste texto a autora expõe sete motivos pelos quais é errado manter centros de detenções para imigrantes.

9. O que eu escrevi

Nossa, você é super bem resolvida! : Meu texto sobre gordofobia da semana tenta nos livrar de toda a culpa por não ser essa pessoa tão ok consigo mesmo quanto as pessoas gostariam que você fosse :)

Gostou dos links de hoje? Então volte sempre, toda quinta-feira eu faço uma seleção dos textos que li e gostei.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Valorize as Minas: Curtinho, para não passar em branco!

Oi, gente. Este #ValorizeAsMinas saiu com atraso porque eu tive pouco tempo para ler e escrever esta semana. Na verdade eu até me afastei um pouco da internet. Então, vai ser bem curtinho mesmo, viu? Mas que tal começar com esta música aqui que eu não parei de ouvir a semana toda?


E vamos aos links da semana!

Vocês se lembram do #ValorizeAsMinas da semana passada, em que eu falei da Mo'ne Davis? Pois é, assisti um vídeo antiguinho do MythBusters detonando o mito "Arremessar como uma garota". Não deixe de ver!

Por que não se pode elogiar a gorda? Uma pergunta que sempre me faço. As minhas amigas costumam elogiar o meu estilo, minha "elegância", mas é raro alguém dizer que eu sou "linda". É totalmente subconsciente, as pessoas não elogiam a beleza da gorda, é como se fosse proibido, sabe? Aliás, elogiam sim, elogiam quando a gente emagrece. Quantas vezes eu ouvi "Você emagreceu! Está linda!".

Não pode: gostar de Exatas : Spoiler: Pode sim.

Conceição Evaristo: literatura e consciência negra : Questiona os motivos pelos quais Conceição Evaristo não figura nas prateleiras das grandes livrarias.

E Dandara dos Palmares, você sabe quem foi? : Mulheres são apagadas da histórias, mulheres negras ainda mais.

GamerGate e a guerra contra mulheres nos videogames : Já postei vários textos sobre o caso do assédio virtual contra as mulheres que estão na indústria de games, seja produzindo, jogando ou criticando. Mas vou recomendar novamente pois este texto está muito explicativo e em português.

Orphan Black: é possível fazer diferente : Texto muito bacana que mostra porque Orphan Black é uma série que avançou muito em termos de representação feminina e como a série tem uma analogia direta com a questão da pauta feminista da autonomia do corpo da mulher.


Transfeminismo: Teorias e Práticas Foi lançado o primeiro livro nacional sobre transfeminismo, escrito pela querida Jaqueline Gomes de Jesus e colaboradores. O livro já está à venda (Obs.: eu não ganho nenhum centavo pela indicação, eu só acredito muito na Jaque e na causa).

Gostou dos links da semana? Então volte que na quinta-feira que vem tem mais!





quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Valorize As Minas : Hoje não tem!

Oi, gente! Hoje não poderei publicar o Valorize As Minas, não tive tempo durante a semana para escrevê-lo. Vai ficar para amanhã :)

Grande abraço e até lá.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

#ValorizeAsMinas: Mo'ne Davis, uma promessa do esporte

Mo'ne Davis

Você conhece Mo'ne Davis? Essa garotinha aí da foto foi o tema de um curto documentário dirigido por Spike Lee. Mo'ne é uma menina de 13 anos que é a lançadora do time de baseball na Little league World Series. Ela é a única menina do time (é um esporte misto) e é um fenômeno. A minha parte preferida é quando dizem que dois meninos estavam jogando e um falou para o outro "tá bem, eu quero ser a Mo'ne" e o outro disse "Não! Eu sou a Mo'ne!". Isto é fantástico. Num mundo em que existe a expressão pejorativa "fazer algo como uma mulherzinha", os meninos estão se sentindo inspirados por uma menina, veja só.

Vamos aos links da semana!

1. Mulheres Notáveis

'Globo nunca me deu importância', diz Beatriz Segall, 88, desempregada :  A situação triste das atrizes idosas no Brasil. Da última vez, soubemos o que aconteceu com a maravilhosa Neuza Borges. Desta vez, Beatriz Segall. Curiosidade: O primeiro pesadelo que me lembro de ter na vida aconteceu por causa da cena da morte de Odete Roittman. hahaha. Eu era criança e fiquei impressionada com a cena. Outros tempos.

Watch: A short documentary about Mo’ne Davis : Não deixe de assistir esse documentário! Essa menina é poderosíssima.

2. Literatura

Amy Poehler's Book 'Yes Please' Will Give You All The Life Advice You Need On Every Subject : Amy Poehler é a molière da minha vida. Este link fala de alguns ótimos conselhos que ela deu em seu livro "Yes, please".

40 escritoras para ler antes de morrer : O texto que bombou essa semana. Pode colocar uma prateleira a mais na sua casa, porque esse post está cheio de dicas maravilhosas.

Valorizando as Minas : Indicações de escritoras, sites sobre feminismo, blogueiras e dicas de lojas feministas e geeks. amei muito.

3. Cinema

Female Captain Marvel to get her own movie : Finalmente a Marvel vai lançar um filme com uma protagonista, a Capitã Marvel. A estréia está prevista para 2018.

4. Infância & Maternidade

Linda. Como você é linda! ( #PadrõesDeBeleza , #Racismo, #Infância #Interseccionalidade): Elogiar a beleza das meninas pode ser algo machista, mas também pode não ser. Pode ser necessário. Pode ser transformador se essa menina for negra, por exemplo.

Mother daughter love in Dia de los Muertos short film : Um curta sobre o dia dos mortos e o amor de mãe e filha, não tem diálogos, pode assistir na boa.

5. Comportamento

23 things you don’t have to apologize for: Você não precisa se desculpar por tudo. Veja aqui 23 coisas que estão liberadas.

6. Sexualidade

O que podemos aprender com o vibrador de Luana : Luana Piovani tirou uma selfie para mostrar uma espinha para seus seguidores no Instagram. No fundo da foto, um vibrador, um pau de borracha, desses que devem ficar para todo o sempre escondidos, né? um simples vibrador revela o quanto a sexualidade feminina ainda é tabu.

Sobre aquelas que não são Suzane Von Richthofen e Elize Matsunaga: Texto muito bacana sobre sexualidade, orientação e afetividade de mulheres encarceradas.

7. Business

5 Maleficent business lessons : Sabe o filme Malévola? Pois é, ele ensina um pouco sobre business também.

8. Eleições

O PT derrota a imprensa e a elite (pela quarta vez) Com a força do povo : Texto muito bom sobre a reeleição de Dilma, que explica o erro na falácia de que "O PT inventou a luta de classes".

A estratégia feminista de Dilma e a cobrança dos movimentos de mulheres : texto sobre a atuação do movimento feminista na campanha de Dilma, cobranças e expectativas para o novo governo.

9. Exposições

São Paulo ganha exposição sobre o incrível mundo da personagem Mafalda : Pelamordedels não vá me dizer que você mora em São Paulo e não vai nessa exposição, viu?

10. Financie as Minas

Você gosta do site Lugar de Mulher? Que tal ajudar as autoras a se manter financeiramente? Saiba como.

Conhece o Girls Rock Camp Brasil? Segundo a descrição do site é um acampamento musical diurno exclusivo para meninas, que visa"empoderar e promover a autoestima de meninas e mulheres por meio da educação musical, criatividade, pensamento crítico e colaboração." Você pode apoiar o projeto no Catarse.

11. O que escrevi?

O problema do argumento do "inimigo comum" : Eu escrevi este texto pensando nas muitas vezes em que silenciei e fui silenciada por este argumento. Talvez seja a hora de reconhecer que ele não é necessário para nós.

O jornalismo e o aborto : Escrevi sobre a abordagem equivocada (para dizer o mínimo) adotada pelo profissão reporter para falar de aborto.

Toda quinta feira é dia de #ValorizeAsMinas, se você gostou da seleção de hoje, volte sempre!

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Jornalismo e o aborto


Ontem foi ao ar o "Profissão repórter" sobre aborto. E através dele é possível entender como a mídia tradicionalmente lida com a questão do aborto: a abordagem adotada foi impregnada de culpabilização das vítimas

No primeiro bloco, ouviram os familiares de Elizângela Barbosa e Jandira Cruz, duas mulheres que viraram notícia por entrar para as estatísticas de morte por aborto no Brasil. Segundo a repórter, a intenção era investigar o que levou Jandira e Elizângela a realizarem abortos clandestinos. Na prática não foi o que aconteceu. A abordagem foi inicialmente sensacionalista, uma tentativa de causar comoção com a dor das pessoas próximas a essas mulheres. Entretanto, a dor não é sempre a melhor conselheira. 

Na dor de perder alguém que amamos, tentamos encontrar o erro, contudo, resposta pode não ser a mais óbvia. A mãe e a irmã de Jandira pediram que ela não fizesse o aborto, mas Jandira decidiu fazer mesmo assim e morreu. Subentende-se que sua mãe e irmã estavam corretas e Jandira estava errada. Esta é a resposta simples, mas não é bem assim. Jandira deveria ter o direito de realizar um aborto legal, seguro e gratuito. Sua vida estaria salva se o aborto fosse legalizado no Brasil. Não satisfeitos em levar ao ar os trechos culpabilizadores da entrevista, fizeram pior: mostraram as cenas do enterro de Jandira, onde um pastor derrama discurso anti-escolha em cima de seu caixão. O horror, o horror.

Em outro momento, um repórter acompanha um delegado na casa onde Elizângela fez o aborto. Esse viés policial em reportagens sobre aborto não existe para que observemos a barbárie a que essas mulheres são submetidas. Quando não se pontua que a legalização seria o caminho seguro, tudo o que estão fazendo é colocar mais medo e culpa na cabeça das mulheres que optam pelo aborto. É uma abordagem criminalizadora.

Em um dos pontos mais baixos de uma reportagem que já estava muito ruim, o repórter vai atrás de duas mulheres que foram flagradas durante uma operação policial ao buscar um aborto clandestino. O amadorismo do jornalista foi impressionante. A primeira mulher que ele localizou desistiu de abortar. O jornalista bateu na porta da mulher e quem atendeu foi o marido. Ele tentou se explicar sem dizer exatamente o motivo pelo qual desejava falar com a esposa dele. Por sorte, o marido sabia da situação, mas e se não soubesse e tivesse percebido do que se tratava? Ele não apenas violou a privacidade dela, sua atitude poderia colocar não apenas um casamento em risco, mas a vida de uma mulher. Afinal, como ele poderia saber da índole desse marido? Se ele reagiria com violência? Uma TOTAL irresponsabilidade.

Apenas aos 17:30 de uma reportagem de 25 minutos é que temos a oportunidade de ouvir a outra mulher localizada. A primeira mulher entrevistada que de fato ESCOLHEU realizar um aborto e sobreviveu. O discurso mais politizado até então. O problema é que logo no início do bloco seguinte, colocam novamente o discurso religioso anti-escolha, desta vez um grupo de freiras que convencem mulheres a não realizar abortos. O que ninguém perguntou para elas é quem vai cuidar dessas crianças quando elas nascerem? Quem vai cuidar psicologicamente dessa mulher que vai ficar nove meses esperando uma criança que ela não deseja? Quem vai dar para essa mulher as oportunidades de trabalho e emprego que ela pode perder por estar grávida? A verdade é que as freiras não estão interessadas nas implicações da gravidez para a mulher, mas disto a reportagem não tratou.

Finalmente, entrevistaram mais uma mulher que tentou realizar aborto e falhou, ela diz que deu a criança para adoção porque não se considerava digna de ficar com ela. Veja bem, de toda a entrevista que a mulher deu, é este o trecho escolhido para ir ao ar, pois fala da culpa. Apenas no finalzinho do programa, entrevistaram Renata Correa, a documentarista de "Clandestinas". A única parte informativa sobre o tema. Reparei na falta de especialistas sobre o assunto, de mulheres do movimento feminista, de médicos como o Dr. Dráuzio Varella que é da casa e é abertamente a favor do aborto, de religiosos que são favoráveis ao aborto e de estatísticas mais completas. Enfim, informações relevantes que poderiam delinear melhor o tema para o expectador. Imagino que esta não foi a intenção.

É importante notar que apenas duas mulheres que optaram pelo aborto foram entrevistadas. Destas, apenas uma foi bem sucedida. A outra desistiu e deu a criança para adoção. Ou seja, uma única mulher em toda a reportagem realizou um aborto e ela teve apenas SEGUNDOS para contar sua história. O programa deu muito mais tempo para os discursos anti-escolha. Para religiosos, mulheres que optaram pela maternidade, pessoas que não apoiam o aborto e estão sofrendo em luto. Mas mesmo que o tempo dado aos dois lados do debate fosse igual, continuaria achando que é uma covardia enorme dar voz ao lugar comum e para posar de "neutros" colocar um pouquinho das opiniões divergentes. Não existe neutralidade quando a opinião majoritária é opressora. Ser neutro é oprimir. Para garantir a discussão sobre aborto, é preciso ouvir quem é a favor dele, porque quem é contra já tem palanque, palco, púlpito, voz. 

Por fim, tirando a entrevista com a família de Jandira, toda a reportagem teve um homem como entrevistador. Não é que homem não possa fazer entrevistas sobre aborto, mas seria sensível por parte da produção que um tema que está tão relacionado ao machismo e ao controle do corpo da mulher, fosse conduzido por outra mulher, que certamente estaria mais a par da realidade, já que uma em cada cinco mulheres de até 40 anos já realizaram um aborto. Ela certamente conhece histórias sussurradas por outras mulheres em sua família ou por amigas, é uma questão de empatia.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

#ValorizeAsMinas: Finalmente, o segundo turno!

Como eu me sinto no segundo turno das eleições 2014 (imagem retirada daqui)

Acho que já está todo mundo emocionalmente cansado com este ano de 2014. Eu sei que eu estou. Felizmente, domingo é dia de segundo turno e vamos poder respirar um pouco do que seria um ano normal. Espero que a partir da próxima semana eu consiga diversificar mais os temas do #ValorizeAsMinas, porque agora praticamente tudo o que leio é sobre eleições. E o pior, não tenho lido nada de novo.

Meu recadinho hoje é para aqueles que não votam em Laércio. Votar nulo ou votar criticamente em Dilma são posições válidas. Não acho justo usar o argumento de que o voto nulo é falta de cidadania para dissuadir os eleitores a votar no seu candidato. E para quem vota nulo, acho injusto exigir que os eleitores críticos da Dilma sejam mais críticos (e por consequência votem nulo). Para começar, isso é muito arrogante, é partir do princípio de que sua crítica é melhor que a dos outros e é tão arrogante quanto FHC dizer que quem vota no PT é desinformado.

Então, que venha o segundo turno. Podem aguardar o #ValorizeAsMinas da depressão na semana que vem, caso o Laércio ganhe. hahaha. Vamos aos links da semana (e sem falar sobre eleições, pois acho que não há nenhum fato novo)!

1. Padrão de Beleza e Gordofobia

Esta semana, a mídia de celebridades e as redes sociais ficaram chocados com a aparência de uma mulher, Renée Zellweger, atriz de 45 anos. Sugiro a leitura de três textos sobre o assunto, Renée irreconhecível ou a mulher que não "envelhece bem" , de minha autoria; O Que Aconteceu Com Renée Zellweger?, no Biscate Social Club e Envelhecendo em público, no Lugar de Mulher.

Gordofobia e a mãe: Já reparou que logo após o parto, ou até antes mesmo, as pessoas cobram para que a mãe "se cuide"? veja o que isso realmente significa.

2. Violência contra a mulher

Mais uma : Um texto sobre a condenação de Oscar Pistorius a míseros CINCO ANOS de cadeia, por assassinar friamente sua namora Reeva Steenkamp. Na verdade, na prática o Júri o eximiu do crime de feminicídio, passou a tratar o caso como um assassinato culposo, já que considerou todos os depoimentos de Pistorius e desconsiderou todas as evidências em contrário.

5 aplicativos contra a violência sexual feminina :  Porque precisamos de mais mulheres nas áreas de tecnologia, desenvolvimento de aplicativos? está aí a resposta.

3. Mulheres Notáveis

Alunas brasileiras vencem concurso de ideias inovadoras de Harvard : As mulheres brasileiras estão A HA ZAN DO em pesquisa e inovação este ano.

4. Saúde da Mulher

Closed for Business : Relato de uma garota que descobriu ter vaginismo. Quem não sabe do que se trata: é uma condição em que a vagina se contrai em espasmos dolorosos durante a penetração. É uma condição que gera muita vergonha e frustração e da qual pouco se fala.

5. Literatura

Harriet the Spy Turns 50! Chatting With Editor Beverly Horowitz About Harriet, Feminism, and Classic Books: O livro escrito em 1964, por Louise Fitzhugh é sobre Harriet  M. Welsch, uma garota de 11 anos que quer se tornar uma escritora. Ela decide ser uma espiã e começa a anotar num diário observações muito honestas sobre as pessoas que a cercam. Sabiam que o livro não teve uma recepção tão boa? Muita gente achou que Harriet tinha um comportamento errado para uma menina. Mais um motivo para ler, não é mesmo?

Uma lista de todas as publicações da @Alliahverso para ler, baixar e/ou comprar.  E não deixe de ler este texto incrível dela, que serve para escritores, mas também para blogueiros, porque de vez em quando dá vontade de ir atrás dos haters, sim, entenda porque não devemos fazer isso. E também faça o favor de assinar a newsletter :)

Lendo mulheres em 2014 : Você já parou para pensar em quantos livros escritos por mulheres você já leu? E escritos por homens? A escritora Thaís Bravo, ao perceber a desigualdade, resolveu que este ano leria livros escritos por mulheres. Você pode acompanhar neste tumblr.

Um trecho do livro Toureando o Diabo, que a @claraaverbuck está escrevendo e eu já estou ansiosa para ler. 

Turma da Mônica: A decepção : Maurício de Souza há muito tempo deixou de ser um ídolo da minha infância para ser apenas mais um babaca.

6. Facebook

Duas páginas para seguir:

A Mighty girl, que posta muita informação bacana sobre meninas e infância

Entre Luma e Frida, amo esta página, uma das minhas preferidas no facebook :)

7. LGBT

A importância do ingresso e resistência de pessoas trans no mundo acadêmico : Maria Clara, 18 anos, mulher trans, explica como é importante que as pessoas trans façam parte do mundo acadêmico.

11 Things Not to Say to a Bisexual Woman : Não, você não pode assistir.

Aline Freitas: "Eu critico o silenciamento das demandas trans": Entrevista maravilhosa com Aline Freitas, não deixe de ler. Aline fala sobre a invisibilização das pautas trans dentro do movimento LGBT, fala sobre como o assunto é abordado pelos governos federal e estadual de São Paulo, entre outros assuntos.

8. Racismo

I'm a Black Journalist. I'm Quitting Because I'm Tired of Newsroom Racism : Rebecca Caroll conta os percalços (racistas) que encontrou como jornalista negra na mídia mainstream.

9. Indígenas

Índia Yawanawá vence preconceito e faz revolução feminina na floresta : Que texto incrível, relata a história de uma mulher indígena que venceu o preconceito e galgou o posto de pajé, antes oferecido apenas aos homens.

“Índio é nós”: Motivos para a mobilização em prol dos direitos e das terras dos povos indígenas : Um ótimo texto que explica muito a problemática indígena com o congresso ruralista e a (falta de) política do governo Dilma.

Gostou dos textos que indiquei esta semana? Volte sempre, que toda quinta eu preparo uma seleção com as minhas leituras preferidas. São textos escritos por mulheres (com uma ou outra exceção), e/ou sobre feminismo e assuntos correlatos.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Renée irreconhecível ou a mulher que não "envelhece bem"

Foto polêmica de Renée

Não deve ser fácil para Renée. "Irreconhecível". Foi como descreveram a série de fotos publicadas esta semana da atriz Renée Zellweger, de 45 anos, famosa por sua atuação como a encantadora Bridget Jones. Imediatamente, a internet e boa parte da mídia internacional de celebridades se dedicou a tecer todo tipo de julgamento. Algumas pessoas ficaram tristes por ela, outras com raiva, outras pessoas (creio que a maioria) acharam divertido rir de uma mulher famosa. Cirurgiões plásticos deram seu palpite. Pegaram a sua foto e traçaram linhas por cima, como se fosse um mapa de carne de boi no açougue, para explicar os supostos procedimentos. No fim, novamente a analogia do pedaço de carne cabe aqui, não pela objetificação sexual, mas pela objetificação em si. Um objeto de análise. Ela não foi a primeira, lembro-me também do quanto se falou (mal) da plástica da Nicole Kidman e de Courtney Cox. Em entrevista para a revista PEOPLE, Renée não negou diretamente a cirurgia, mas deu a entender que não houve nenhum procedimento. Renée também disse que está feliz.

Não sei se Renée disse a verdade ou não, mas sei que a maior parte das pessoas não ficou chocada porque ela supostamente fez uma cirurgia plástica facial, afinal, tantas atrizes fazem cirurgias plásticas, não é? Por exemplo, Scarlett Johanson e Jeniffer Aniston já fizeram cirurgias para afinar o nariz, Diane Krueger colocou próteses de silicone nos seios. Cirurgias plasticas e tratamentos estéticos são incentivados. O que choca as pessoas é o resultado insatisfatório, não a prática da intervenção. Por isso, parece que todo mundo está passando à quilômetros de distância da questão que deveríamos discutir: O direito da mulher a envelhecer.

No caso de Renée, acho que existe uma pressão que já a acompanha há um bom tempo porque ela precisou engordar para fazer o papel de Bridget Jones. Isso jogou os holofotes sobre seu corpo também. Este engorda-emagrece para entrar na personagem fez com que suas aparições fossem cercadas de comentários sobre o seu peso e sua aparência. Assim, mesmo uma mulher branca, loira, de olhos claros, cabelos lisos (muito enquadrada nos padrões de beleza) pode se sentir pressionada a estar sempre bonita e jovem.

A profissão de Renée também gera um impacto grande nas mulheres que envelhecem, já que Hollywood costuma dar somente aos homens o direito de envelhecer. Se o homem envelhecer, se engordar, se enrugar, vai continuar atuando, vai ser lembrado como um grande ator, que um dia foi também um galã. Já as mulheres precisam "envelhecer bem". Pode ter rugas, mas não pode ter muita. Pode ter cabelo branco, mas tem que ser magrinha. Ah, e faça o favor de cobrir os braços, porque pele sobrando debaixo do braço está proibido (quem se lembra das pessoas chocadas com o braço da Madonna?). Assim, exige-se que a mulher aceite sua idade, mas só até certo ponto, ela precisa "se cuidar". Regrinhas não vocalizadas, mas que podemos observar claramente. Afinal, quanto mais idade a mulher tem, menos quantidade e menos diversidade de papéis ela receberá, consequentemente, menos dinheiro também.

Outro dia, eu estava assistindo a série de TV True Detective. Um dos protagonistas, Marty, tem uma esposa, Maggie, e uma amante, Lisa. Marty me parece um homem entre os 40 e 50 anos de idade, mas tanto Maggie quanto Lisa são bem mais jovens. A TV, embora tenha se tornado um pouco mais democrática, ainda possui limitações quando o assunto é o envelhecimento de uma mulher. São raras as séries como Orange is the new black, onde a diversidade é parte crucial do entretenimento. Várias das séries de TV atuais tem como protagonistas homens de meia idade namorando mulheres com metade de sua idade. Juro que não é uma questão de moralismo, mas isso é fetichismo de quem produz e de quem consome esses produtos. As mulheres que tem papéis relevantes estão cada dia mais jovens.

Se Renée fez ou não uma cirurgia ou um tratamento, não importa. Não estamos no direito de julgar as atrizes por não se darem ao luxo de envelhecer sem cirurgia plástica, nem de exigir que envelheçam "bem", mas deveríamos sim exigir mais diversidade, para que nenhuma atriz se sinta pressionada a esconder suas ruguinhas e para que mais mulheres percam o medo de envelhecer.