Eu não sei o que estive fazendo da minha vida nos últimos seis anos, pois perdi tempo demais sem conhecer Leslie Knope. Brilhantemente interpretada por Amy Poehler, Leslie Knope é a personagem central da série Parks & Recreation - Doravante P&R -, que explora o "humor do constrangimento", gênero que ultimamente tem me agradado muito mais do que as sitcoms tradicionais e suas claques de risadas. No começo, a série parecia bastante com "The Office", mas aos poucos tomou um rumo bem diferente e interessante. Em muito, por causa desta protagonista incrível tão rara na TV.
Eu já havia assistido alguns episódios saltados de P&R, mas não dei a atenção necessária, até ouvir minha amiga Aline Valek falar sobre Leslie no nosso podcast de despedida. Decidi dar uma chance a P&R e não me arrependi. Leslie Knope é uma personagem muito inspiradora e um ícone feminista. Esta personagem me estimula tanto que, especialmente no que tange às questões profissionais, nos últimos dias eu já me peguei pensando "O que a Leslie faria se estivesse em meu lugar?".
Leslie Knope trabalha como vice-diretora no departamento de Parques e Recreações do governo municipal de Pawnee, uma cidade de Indiana. Ela é uma funcionária pública extremamente dedicada ao seu trabalho, em parte porque ela é uma perfeccionista que adora se desafiar, mas principalmente porque ela quer fazer o melhor pela comunidade. Leslie trabalha junto a um grupo de pessoas muito diferentes umas das outras, mas todas nutrem admiração por ela, mesmo o seu chefe Ron Swanson (o reaça adorável da série), entende o valor inestimável de Leslie para aquela equipe. Leslie é a alma do grupo, uma amiga querida, uma pessoa solar em quem todos confiam cegamente para realizar o seu trabalho e tomar decisões difíceis.
O que é irretocável na construção desta personagem é que vemos aqui uma exceção: Uma mulher, feminista, ambiciosa e em posição de liderança, que não é retratada como uma mulher triste, amarga, solitária. Muitíssimo ao contrário, Leslie distribui otimismo e sorrisos, vai para a balada e enfia o pé na jaca (quem nunca?), trata as pessoas com generosidade e tem o coração aberto para o amor. Aliás, quando o assunto é amor, por duas vezes (até onde assisti a série) ela decidiu que suas ambições profissionais e seu amor por Pawnee eram mais importantes. Decisões difíceis tomadas com a leveza usual da personagem.
O feminismo de Leslie rende situações engraçadíssimas, especialmente quando ela é proibida de fazer algo por ser mulher. Ela jamais aceita este argumento e busca maneiras de mostrar que é capaz, aliás que ela é melhor do que aqueles que a diminuiram por ser mulher. Seu escritório é decorado com imagens de mulheres que a inspiram, especialmente mulheres na política. Leslie tem o sonho de se tornar presidente. Na minha opinião ela seria uma presidente maravilhosa, eu votaria nela sem pensar duas vezes.
Leslie também tem uma amizade íntima com Ann Perkins. As duas estão sempre trocando confidências, pedindo conselhos uma à outra, se apoiando em todos os momentos. De vez em quando, Ann fala que ama Leslie. Leslie sempre elogia a beleza de Ann. Sem inveja, sem conflitos, apenas duas mulheres que gostam muito uma da outra.
Por outro lado, Leslie também tem seus defeitos. Ela é excessivamente ingênua e confiante, o que rende situações hilárias, especialmente quando precisa lidar com a imprensa. Enquanto é muito organizada e profissional no trabalho, sua casa é uma bagunça completa. Ela está bem inserida na cultura bélica americana e caça muito bem. Detesta salada e ama Waffles e doces. Ela é workaholic até mesmo quando está muito doente. Por vezes, ela é obstinada demais, querendo fazer valer o seu argumento a todo custo.
Mesmo com seus defeitos, Leslie continua sendo uma personagem revigorante, por ser inspiração certa para aqueles amigos que a cercam, mas também para nós que acompanhamos sua história e seu desejo de fazer de Pawnee um lugar a cada dia melhor.










