terça-feira, 15 de julho de 2014

Leslie Knope, uma feminista ambiciosa e adorável


Eu não sei o que estive fazendo da minha vida nos últimos seis anos, pois perdi tempo demais sem conhecer Leslie Knope. Brilhantemente interpretada por Amy Poehler, Leslie Knope é a personagem central da série Parks & Recreation - Doravante P&R -, que explora o "humor do constrangimento", gênero que ultimamente tem me agradado muito mais do que as sitcoms tradicionais e suas claques de risadas. No começo, a série parecia bastante com "The Office", mas aos poucos tomou um rumo bem diferente e interessante. Em muito, por causa desta protagonista incrível tão rara na TV.

Eu já havia assistido alguns episódios saltados de P&R, mas não dei a atenção necessária, até ouvir minha amiga Aline Valek falar sobre Leslie no nosso podcast de despedida. Decidi dar uma chance a P&R e não me arrependi. Leslie Knope é uma personagem muito inspiradora e um ícone feminista. Esta personagem me estimula tanto que, especialmente no que tange às questões profissionais, nos últimos dias eu já me peguei pensando "O que a Leslie faria se estivesse em meu lugar?". 

Leslie Knope trabalha como vice-diretora no departamento de Parques e Recreações do governo municipal de Pawnee, uma cidade de Indiana. Ela é uma funcionária pública extremamente dedicada ao seu trabalho, em parte porque ela é uma perfeccionista que adora se desafiar, mas principalmente porque ela quer fazer o melhor pela comunidade. Leslie trabalha junto a um grupo de pessoas muito diferentes umas das outras, mas todas nutrem admiração por ela, mesmo o seu chefe Ron Swanson (o reaça adorável da série), entende o valor inestimável de Leslie para aquela equipe. Leslie é a alma do grupo, uma amiga querida, uma pessoa solar em quem todos confiam cegamente para realizar o seu trabalho e tomar decisões difíceis. 


O que é irretocável na construção desta personagem é que vemos aqui uma exceção: Uma mulher, feminista, ambiciosa e em posição de liderança, que não é retratada como uma mulher triste, amarga, solitária. Muitíssimo ao contrário, Leslie distribui otimismo e sorrisos, vai para a balada e enfia o pé na jaca (quem nunca?), trata as pessoas com generosidade e tem o coração aberto para o amor. Aliás, quando o assunto é amor, por duas vezes (até onde assisti a série) ela decidiu que suas ambições profissionais e seu amor por Pawnee eram mais importantes. Decisões difíceis tomadas com a leveza usual da personagem.

O feminismo de Leslie rende situações engraçadíssimas, especialmente quando ela é proibida de fazer algo por ser mulher. Ela jamais aceita este argumento e busca maneiras de mostrar que é capaz, aliás que ela é melhor do que aqueles que a diminuiram por ser mulher. Seu escritório é decorado com imagens de mulheres que a inspiram, especialmente mulheres na política. Leslie tem o sonho de se tornar presidente. Na minha opinião ela seria uma presidente maravilhosa, eu votaria nela sem pensar duas vezes.

Leslie também tem uma amizade íntima com Ann Perkins. As duas estão sempre trocando confidências, pedindo conselhos uma à outra, se apoiando em todos os momentos. De vez em quando, Ann fala que ama Leslie. Leslie sempre elogia a beleza de Ann. Sem inveja, sem conflitos, apenas duas mulheres que gostam muito uma da outra.

Por outro lado, Leslie também tem seus defeitos. Ela é excessivamente ingênua e confiante, o que rende situações hilárias, especialmente quando precisa lidar com a imprensa. Enquanto é muito organizada e profissional no trabalho, sua casa é uma bagunça completa. Ela está bem inserida na cultura bélica americana e caça muito bem. Detesta salada e ama Waffles e doces. Ela é workaholic até mesmo quando está muito doente. Por vezes, ela é obstinada demais, querendo fazer valer o seu argumento a todo custo.

Mesmo com seus defeitos, Leslie continua sendo uma personagem revigorante, por ser inspiração certa para aqueles amigos que a cercam, mas também para nós que acompanhamos sua história e seu desejo de fazer de Pawnee um lugar a cada dia melhor.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

#ValorizeAsMinas - O torcedor de futebol: Tava ruim, tava bom, mas parece que piorou.

Semana de muitas emoções, de extremos, de ressaca moral. Mas também de sacudir a poeira, porque perder faz parte.

Seleção. Brasileira. De Futebol. Feminino.
Cadê o amor do brasileiro pelo futebol nesta hora?
Eu amei a sugestão que rolou no twitter de colocarem a Marta no lugar do Neymar (01 sonho: ver esta mulher ser tão reconhecida pelos brasileiros quanto os jogadores do time de futebol masculino). Já começo com link para este golaço aqui.

Agora que a Copa se encaminha para o fim, eu espero retomar o ritmo de leituras e aumentar minha produtividade. Acho que temos escrito um bocado sobre os mesmos assuntos e está um pouco cansativo (O pior é que sei que logo em seguida entraremos em outro monotema: eleições).

1. Ficção Científica

As mulheres de Person of Interest : Eu não acompanho a série, mas está aí para quem curte um ótimo texto sobre as personagens de Person of Interest.

A ficção científica e a estranha tara por mulheres em tubos: Texto incrível sobre a relação entre um clichê da ficção científica e a cultura do estupro.

2. Mulheres Notáveis

Kahlo’s work still tells a story we struggle to talk about, even today (Em inglês): Um texto sobre como o aborto influenciou a obra de Frida Kahlo.

Exposição Marie Curie: O Museu Municipal da Estância de Socorro, no interior de SP, apresenta até o dia 31 de julho a Exposição Marie Curie.

ONU nomeia Emma Watson como Embaixadora da Boa Vontade : A ONU Mulheres indicou Emma Watson como embaixadora para promover o empoderamento de mulheres jovens. Só posso desejar a ela todo o sucesso nessa missão.

3. Amarildo e Genocídio da juventude negra

Algumas pessoas dirão que esse tema nada tem a ver com mulheres ou com feminismo. Mas a verdade é que a cada jovem morto pela polícia, a cada Amarildo desaparecido, é o rosto de uma mãe que aparece na TV (ou não aparece). E não devemos esquecer também de Cláudia, que foi arrastada e assassinada cruelmente pelo racismo institucional. O assassinato sistemático da juventude negra é um assunto que envolve as mulheres profundamente. Ainda que não envolvesse, nada tão violento deveria soar natural.

Os nomes que voltam : Fiquei emocionadíssima lendo este texto tão curto, que fala como o nome "Amarildo" voltou a ecoar pelo Brasil em um contexto diferente.

IPM absolve oficial da morte do pedreiro Amarildo : Sem palavras. A coisa caminha para a impunidade.

E eu não poderia deixar de indicar a página "Mães de Maio" no Facebook, que trata exatamente da violência policial contra jovens negros, pobres e periféricos.

Uma carta de amor aberta para o meu filho: Sobre luto, amor e maternidade negra : Texto traduzido pelo  portal Blogueiras Negras (sigam, recomendadíssimo!). Um dos textos mais poderosos e impactantes que já li, sobre o medo de uma mulher negra em ter um filho negro. Se eu pudesse indicar apenas um texto hoje, seria este.

Genocídio da população negra: O que nosso feminismo tem a ver com isso? : Para entender a relação entre genocídio da população negra e o feminismo negro.

4. Racismo

Por que o racismo contra indígenas é o maior de todos no Brasil? : Eu fico super reticente com este título que compara opressões, mas o texto é bom e importante para entender o preconceito contra os indígenas.

A prática da farsa persiste: Eram os egípcios homenzinhos verdes? : Mais um capítulo apagado da História, o fato de que a civilização egípcia era negra.

5. Cinema

Pesquisa revela que mulheres negras estão fora do cinema nacional : Facílimo atestar isto. Tentei lembrar aqui de uma mulher negra em papel de destaque em alguns dos filmes brasileiros que assisti recentemente e simplesmente não lembrei de nenhuma.

Orixás se tornam super-heróis em filme Nigeriano : Fiquei com muita vontade de assistir! Queria demais que chegasse ao Brasil, tanto pela representação das religiões de matriz afro, mas também porque já pensou a cara dos fundamentalistas cristãos (defensores do ódio misógino, racial, contra LGBTs) ao ver Orixás representados como SUPER HERÓIS? Eu tenho pequenos espasmos de prazer só de pensar nisso.

6. Backlash

Para quem não está familiarizado, Backlash é o título de um livro escrito por Susan Faludi, que é bastante importante para entender a dificuldade do feminismo em avançar. Como explica a autora:

"Embora o contra-ataque antifeminista não seja um movimento organizado, nem por isto deixa de ser destrutivo. Com efeito, a falta de coordenação, a ausência de uma única liderança só servem para torná-lo menos visível — e talvez mais eficiente. Um backlash contra os direitos das mulheres tem sucesso na medida em que parece não ter conotações políticas, na medida em que se mostra como tudo, menos uma luta. Ele é tanto mais poderoso, quanto mais consegue transformar-se numa questão privada, penetrando na mente da mulher e torcendo a sua visão para dentro, até ela imaginar que a pressão está toda na cabeça dela, até ela começar a impor as regras do backlash a si mesma" (tradução retirada do wikiquote).

The Princess Effect (em inglês): mesmo as mulheres que alcançaram cargos políticos de liderança não estão livres de serem primeiramente analisadas por sua beleza. É backlash porque tenta colocar a mulher, mesmo a mais poderosa delas, de volta em lugar decorativo.

Wonder Woman's feminism matters. So why would the comic industry reject it? (em inglês): David Finch, o novo artista contratado para desenhar a personagem Mulher Maravilha, fez uma declaração polêmica, na qual afirmava que não a desenharia "feminista". Cara, estamos falando de um ÍCONE feminista. Como é possível que alguém contratado para desenhá-la não entenda isso? Esse apagamento: Bonito não está. É backlash na forma como demoniza a palavra feminismo, fazendo parecer que seja algo ruim ou menos humano.

Backlash em todos os lugares.

7. Gordofobia

Pensei que você fosse maior do que isso: Um texto pelo direito pessoal e intransferível de se sentir ofendida pela gordofobia.

8. Transfobia

O feminismo negro é absolutamente incompatível com a transfobia: Este editorial lindíssimo das blogueiras negras que eu apóio completamente, mesmo sendo uma feminista branca e cis.

9. Orange is the new black

Isso mesmo, mais texto de OITNB.

Orange is the new black: a novidade feminista? : Parte deste texto é uma tradução de um texto sobre a primeira temporada.

Por que Orange is the New Black é a melhor série do Netflix sobre poder : Gente, que texto maravilhoso! Estou apaixonada. "Sim". a cada frase lida neste texto minha vontade é de gritar "SIM". Entenda como OITNB explora as relações de poder dentro do microcosmo da penitenciária de Litchfield. Tem muitos spoilers.

10. Copa do Mundo

Textos sobre futebol, escritos por mulheres.

Na Copa das Copas, o futebol tinha de ser o vencedor! Obrigada, Alemanha : Um texto muito legal sobre alguns dos erros cometidos na copa e como a seleção da Alemanha deu um exemplo de respeito ao adversário.

Nope, I am not embarassed by the 7 -1 (em inglês): Quando todos na mídia falam em vexame, eu só lembro das palavras da minha sábia mãe (usada nas mais diversas situações da vida): "vexame é cagar e não encontrar com o que se limpar". Neste belo texto a autora explica porque a derrota contra a Alemanha não a deixa envergonhada.

11. O que andei escrevendo?

Só lista de compras de supermercado. Quem sabe fico mais produtiva agora que a Copa caminha para o fim? Eu até pensei em escrever algo sobre o jogo Brasil x Alemanha (e a copa no geral) mas sabia que possivelmente atrairia a atenção de torcedores fanáticos e acabei desistindo (parcialmente). Vou escrever parte do texto aqui mesmo, junto com os outros links, tudo junto e misturado para não se tornar o centro da conversa de hoje.

O futebol revelando o pior do ser humano
Como torcedores, deveríamos aprender a perder. Quando Marcelo fez um gol contra no primeiro jogo do time do Brasil as reações foram piores que cruéis, foram criminosas, porque em nosso país racismo é crime, vale lembrar. Quando Neymar foi lesionado, as críticas ao jogador colombiano Zuniga seguiram o mesmo caminho, acrescentando as ofensas misóginas e ameaças de estupro contra sua pequena filhinha. Quando perdemos para a Alemanha, jogamos fora o tal do orgulho e amor de ser brasileiro. E é claro, agredimos os alemães também, por ousar vencer com tanta facilidade a seleção brasileira. Muitos exemplos da falta de "cordialidade brasileira" no momento da derrota ou do erro, quando em todos os casos citados poderíamos desenvolver uma crítica não-violenta, sem dar espaço para aquilo que de pior existe em nós. 
Diante de tantas vaias aos hinos das diferentes nações que participaram do torneio, diante do coro de xingamentos homofóbicos, misóginos e racistas, eu me sinto triste. Mais triste que envergonhada, na verdade, porque tudo isto nos mostra o quanto não somos cordiais com os adversários, com as mulheres, com os LGBTs, com os negros e com qualquer um que esteja no caminho da vitória. É bom ganhar? em casa? com o Estádio todo amarelinho? SIM, mas o que parece é que o torcedor brasileiro gosta mais de ganhar do que de futebol. Ele só reconhece dois signos: Vitória e Derrota, e suas ações refletem esses extremos. Num momento há um patriotismo desenfreado e no outro um ódio cego contra o Brasil. Sei que por hora nada muda, mas eu gostaria que, talvez agora que há tantos anos não participamos das finais da Copa do Mundo, fosse um bom momento para começar a aprender como perder sem destruir aos outros.
O futebol revelando o melhor do ser humano 

O gaúcho deu a taça para uma alemã que pediu para levá-la na final

Gostou da seleção de links? Gostou de algum link? Comente, divulgue, passe adiante o link que você gostou. E volte sempre, toda quinta-feira eu faço esta curadoria de links. 


Por um mundo com menos texto-chorume circulando na internet.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

#ValorizeAsMinas: Vai ter beijo homoafetivo, sim!

Esta semana tive um pouquinho mais de tempo para leitura, deu para selecionar uns links bem legais para o #ValorizeAsMinas ;)

Vamos à imagem da semana:

Se reclamar vai ter dois!
O fandom Clarina foi à loucura!

Está todo mundo se referindo a esse beijo como beijo lésbico, mas vi várias pessoas bissexuais reclamando de apagamento, porque a Clara é bissexual. Eu queria ter vários bons links sobre o momento Clarina Kiss, mas não tenho, infelizmente! Não se falou muito a respeito. Será que é reflexo da copa do mundo ou  isso atesta o apagamento?

1. Publicidade:

Normalmente a gente fala mal da publicidade por ser machista, racista, gordofóbica e etc. Mas nos últimos dias apareceram umas propagandas bem bacanas! Dá uma olhadinha:

O que é, afinal, fazer coisas "como uma menina"? : Uma das raríssimas propagandas feministas. A always levanta o questionamento "o que é fazer algo como uma menina?". A resposta é tocante.

HelloFlo - First moon party (em inglês): Este link aqui circulou por aí há alguns dias e também é uma propaganda de absorvente. Não é feminista, mas é bem engraçada.

New Pantene Ad Urges Women To Stop Saying Sorry (em inglês): Uma propaganda que mostra como nós, mulheres, temos o reflexo de nos desculpar por tudo. Achei bem legal e, na verdade, eu acho que também esse hábito. Me lembrou desta palestra aqui (em inglês, dá para habilitar a legenda em português) da Sheryl Sandberg, COO do Facebook.

2. Maternidade e Infância:

Os príncipes e o Tesouro : Sabe quando um desses homofóbicos reclamam de beijo gay na novela com aquele argumento tosco "como vou explicar para os meus filhos"? Tomaí um livro infantil com um casal homossexual. <3

Feio não é ser mãe solteira, feio é ser pai quando convém : Um texto maravilhoso sobre as mães que criam seus filhos sozinhas e os pais ausentes que só aparecem quando convém. E como elas é que são tachadas de chatas, exigentes, elas é que são incompreensivas com os pais, que não têm tempo para seus filhos, como se fosse mais fácil para elas, que são mães em tempo integral.

3. TV

Why Is Orphan Black Still Fighting a War Buffy Should Have Won Over 10 Years Ago? (Em inglês): Há mais de 10 anos Buffy quebrou um paradigma importante ao se tornar uma série geek com uma personagem central mulher e que foi amplamente bem aceita. Mulheres podem ser protagonistas de séries rentáveis e de sucesso.

A sexualidade feminina em Game of Thrones : É incrível que mesmo uma série com personagens femininas tão marcantes ainda não garanta a agência sexual delas.

4. Músicas

The 10 best feminist songs by Latinas : Esse link entraria na lista da semana passada, mas eu esqueci! É uma seleção de músicas feministas cantadas por mulheres latinas. Eu apenas discordo que são as melhores canções feministas, minha lista seria totalmente diferente! E a sua? :)

5. Pesquisas

Suicide Attempts among Transgender and Gender Non-Conforming Adults (Em inglês) : Uma pesquisa da "Fundação Americana pela Prevenção do Suicídio" sobre a incidência de tentativas de suicídio na população trans. Só adiantando um número para vocês, 45% da população estudada já tentou o suicídio. É chocante. É muita gente.

6. Estupro

The Daily Show's Take on Sexual Assault Is Devastatingly Good (Em inglês): Vídeo humorístico sobre uma situação que afeta os Estados Unidos, a forma como as universidades americanas protegem os alunos estupradores.

7. Questões raciais

Os 25 anos de "Faça a coisa certa", de Spike Lee: Um texto incrível sobre Spike Lee, um diretor amado na mesma proporção em que é rejeitado por ter recebido a pecha de "agressivo". Já repararam que as pessosa negras assertivas sobre racismo são costumeiramente chamadas de agressivas? O que ninguém pode negar é a importância do filme "Faça a coisa certa" para o cinema negro americano.

As gurus da beleza negra na internet: Esse artigo levanta muitas questões interessantes, quem são as mulheres negras que falam sobre beleza na internet brasileira? Quantas são? Se destacam tanto quanto as mulheres brancas? Como lidam com o racismo?

A lei que mudou a história dos negros nos EUA completa 50 anos: Você conhece Rosa Parks? Deveria. Essa mulher incrível é parte importante da história dos negros americanos.

O que afasta as crianças e os adolescentes negros da escola? : Um texto para acabar com a noção de meritocracia.

8. Exposições:

Nunca invejei tanto a galera de Curitiba! A partir do dia 17 de Julho entra em cartaz a mostra "Frida Kahlo - suas fotografias", no Museu Oscar Niemeyer. Curitibanas, estou branca, azul, roxa, de inveja de vocês.

9. Para acompanhar:

Você curte ficção científica e é feminista? Você deveria começar agora mesmo a ler o blog Momentum Saga, da Sybylla. Aproveite e siga o Tumblr Ficção Científica Feminista também :)

E quadrinhos? Você curte? Então conheça o Lady's comics, um site sobre mulheres e quadrinhos/ilustrações. E não deixe de dar uma olhadinha (e uma apoiadinha também) no projeto delas no Catarse!

10. Panorama mundial

Supreme Court Rejects Contraceptives Mandate for Some Corporations (em inglês): Está rolando uma situação muito alarmante nos Estados Unidos. Para quem não sabe, não existe saúde pública nos Estados Unidos. As pessoas necessariamente precisam de planos de saúde para acessar serviços básicos de saúde. Mesmo com este quadro, a Suprema Corte decidiu por maioria apoiar a empresa Hobby Lobby que solicitava que a empresa, administrada por uma família religiosa, não pagasse pela cobertura da "contracepção" nos planos de saúde de suas funcionárias. Isso é muito grave. Abre um precedente perigosíssimo. Este texto explica bem a situação.

11. O que escrevi esta semana?

O amor romântico feminino que transforma os homens: Já reparou na quantidade de filmes, livros, novelas e até músicas que falam das mulheres que transformam homenzinhos de merda em príncipes encatados?

Por que o Soluço, de "Como treinar o seu dragão", é um personagem memorável? Neste texto eu falo da importância de um personagem masculino que contraria vários aspectos do ideal de masculinidade imposto pela sociedade.

Chegamos ao fim do #ValorizeAsMinas de hoje!

Se amarrou em abrir 83470120 abas no seu navegador? Então volte, que toda quinta-feira tem mais links legais! Nada de clicar em link dos colunistazinhos polêmicos a.k.a. homenzinhos de merda, hein? Eles estão enriquecendo com o seu clique. Não é muito melhor ler coisas interessantes e se informar sobre o que acontece a nossa volta?

terça-feira, 1 de julho de 2014

Por que o Soluço, de "Como treinar o seu dragão", é um personagem memorável?

Atenção: Spoilers de "Como treinar se dragão" e "Como treinar seu dragão 2"



Em tempos em que o choro masculino é retratado como sinal de fraqueza e descontrole, personagens como o Soluço, do filme “Como treinar o seu dragão” e “Como treinar o seu dragão 2”, se tornam ainda mais importantes. Este personagem, embora masculino, é um daqueles com que me identifico muito, até mais do que sua namorada Astrid. Astrid tem uma série de qualidades que a tornam uma boa personagem, mas ainda sim, é em soluço que me vejo representada.

Soluço é o filho do Viking Estóico, O Imenso. Estóico é um homem corajoso, um bravo guerreiro e líder de Berk, a cidade viking que está em guerra com os Dragões. O que torna Soluço um personagem tão interessante é o fato de que ele não aceita aquilo que lhe foi imposto sem questionar. Enquanto todos decidem que a única forma de acabar com a guerra é exterminar todos os dragões, Soluço acredita que dragões não são maus por natureza e que é possível uma aproximação. É um personagem com contornos de esquerda, por acreditar em uma ideologia que contraria o status quo. Acredito até mesmo que é a sua capacidade de questionar que gerou o seu interesse pela cartografia, por descobrir o que está além, e é sua curiosidade que o torna tão hábil em treinar os dragões, em conhecê-los.

Talvez eu consiga me relacionar tanto com Soluço porque ele possui uma série de características que são consideradas femininas. A força deste personagem não está nos seus atributos físicos, sua inteligência não é usada para a guerra e sua liderança é colaborativa e pacífica. Estóico, em vários momentos, deixou de ouvir o filho por acreditar que sua recusa em ser o herói viking clássico fosse uma fraqueza quando, na realidade, esta era a maior qualidade de Soluço. Isso importa porque as crianças, em especial os meninos, precisam de modelos de heróis cujo maior desejo é evitar o combate. Soluço representa um questionamento daquilo que entendemos por masculinidade, que é um conceito eivado de agressividade.

Um bom exemplo de sua natureza não agressiva ocorre no segundo filme, Soluço descobre a existência do vilão Drago e sua primeira reação é: “vou conversar para que ele mude de opinião”. O mais normal em qualquer filme é que o herói parta para derrotar o seu inimigo, não para torná-lo um aliado. 

A sua capacidade de empatizar com o outro também é colocada à prova no segundo filme, quando ele descobre que sua mãe, Valka, dada como morta, na verdade estava viva, mas optou por abandonar Berk e cuidar dos dragões. Me dá vontade de bater palmas de pé para os roteiristas do filme, que não se conformam em criar lugares-comuns, porque seria até mais dramático para o roteiro que houvesse um ressentimento, mas em vez de julgá-la, ele a perdoou, ele compreendeu e até mesmo se identificou. O que gerou cenas lindíssimas de um reencontro entre duas pessoas que mal se conhecem, mas que são tão parecidas.

Não menos importante, Soluço também tem uma diversidade funcional (a.k.a deficiência física). Ele perdeu parte da perna no primeiro filme. Aliás, “Como treinar o seu dragão” e sua sequência, mostram vários personagens com diversidade funcional, inclusive o dragão “Fúria da Noite”, que usa uma prótese criada por Soluço. O que poderia ter sido tratado como uma fraqueza do personagem é encarado com naturalidade. Isso é importante pela questão da representatividade das pessoas com diversidade funcional, especialmente nas tramas de aventuras. 

Soluço mostra para as crianças que é possível ser corajoso sem partir para a guerra, ser aventureiro e livre, com diversidade funcional. É possível ser um líder disposto a dialogar. E é possível viver fora dos padrões que a sociedade impõe como um comportamento masculino típico. E por tudo isso, este personagem é memorável.

sábado, 28 de junho de 2014

Cultura pop: O amor romântico feminino que transforma os homens

Aviso: Spoilers do livro/filme "Um dia"



Outro dia eu finalmente assisti aquele filme “Um dia”. Assisti apenas por motivos de: Anne Hathaway. Eu nem esperava muito do filme, achei que seria mais um romancezinho água com açúcar. E mesmo com as minhas expectativas baixas, ele se provou uma grande decepção. A personagem de Anne, Emma, conhece Dexter no dia de sua formatura do highschool (o equivalente ao ensino médio). Bem, eles já se conheciam antes, mas ele não se lembrava dela. Eles acabam se tornando grandes amigos, apesar de ficar claro que sempre rolou algum sentimento entre os dois. 

A história se desenrola entre idas e vindas destes personagens. Enquanto Emma, que é pobre, rala em subempregos para sobreviver, Dexter vive de baladas e da grana dos pais. Há um momento ainda durante a juventude, que os dois tiram férias juntos e quase rola algo. Não rolou porque, para variar, o Dexter é um babaca. Apesar disto, Emma esteve quase todo o tempo por perto para apoiar Dexter, ser guru, ser sua amiga-quase-amante, um porto seguro.

Emma vai aos poucos se estabelecendo, começa a viver a vida com que sempre sonhou. Enquanto Dexter vai se destruindo até não sobrar quase nada. Então, ele resolve tomar jeito na vida e ir atrás da Emma, que o aceita de bom grado. E como último passo na transformação de Dexter, Emma morre.

Emma é uma personagem que serve de degrau para a jornada do homem. E quantas personagens existem que fazem este mesmo exato papel? Por que continuam produzindo conteúdo para mulheres que ensinam que um homenzinho de merda tem potencial para se tornar um bom namorado/marido/pai? Já começamos encontrando na infância o romance de “A Bela e a Fera”. Falando em Disney, podemos citar até mesmo filmes recentes (e ótimos) como “Enrolados”, em que o herói é um ladrão que se redime através do amor. E fora da Disney também há muitos outros exemplos. A própria Anne Hathaway já viveu personagem similar em “Amor e outras drogas”.

O somatório da produção cultural, entre livros, filmes, séries, músicas e tudo o mais, deixam uma mensagem clara para as mulheres: Por amor (Quero ressaltar que este texto é sobre amor romântico e heterossexual), precisamos aguentar tudo. Se nós amamos, precisamos ser persistentes, pois o nosso amor é capaz de mudar todo comportamento abusivo de nossos companheiros. Tal qual uma mãe educa um filho. A maternidade estendida a todas as mulheres, sempre que elas se relacionem com homens. É fácil entender o quanto esse discurso é prejudicial, o quanto ele nos torna reféns de relacionamentos abusivos. Este é um discurso poderoso que redime os homens de suas condutas e bota sobre a mulher a responsabilidade da transformação.

O que acho curioso é que seja sempre o amor feminino o agente da transformação, quando não há nada menos subversivo do que uma mulher amar um homem. Somos ensinadas a ver nos homens tudo o que deve ser amado. Eles são entendidos como mais fortes, mais livres, mais racionais, mais profissionais, enfim. Enquanto às mulheres são atribuídas as características de mais frágeis, fofoqueiras, interesseiras, histéricas e etc. É por isso que em nossa sociedade “ser homem” é ter uma série de qualidades que o tornam “melhor” (muitas aspas), é ser brother, é ter ética, é jogar limpo. Enquanto “ser mulherzinha”, assim mesmo no diminutivo, é ser fútil, ser fraca, ser sentimental. Está clara a situação de poder, em que mulheres estão embaixo e homens em cima. Por tudo isso, é esperado (e heteronormativo) que uma mulher ame um homem. Um homem que ama uma mulher é uma exceção. Um prêmio que devemos disputar como highlanders do amor, até que só reste uma em seu coração masculino. 

Eu acredito no amor como uma força transformadora, mas não no amor romântico que pressupõe toda essa relação desequilibrada de forças. É neste ponto que é importante conhecer personagens como a Malévola, do filme homônimo da Disney. Malévola não é motor de transformação de homem nenhum. Ao contrário, fica evidente que uma mulher não é capaz de mudar seu companheiro, por mais que o ame. Precisamos de mais Malévolas e menos Emmas na cultura pop.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

#ValorizeAsMinas: Semana corrida não impede os bons links

Semana corrida. Vida agitada. Muita série no Netflix. Não tive muito tempo para leituras esta semana, por isso a lista do dia será breve, porém com selo Giza de qualidade!

Se foi Rose Marie Muraro, fica a nossa gratidão.

1. Aborto

Ora, ora. Veja só. Esta semana eu nem comecei falando de Copa do Mundo. \o/

Aborto, nova tramóia dos fundamentalistas: Texto sobre a escalada de poder e a agenda conservadora dos fundamentalistas, cujo mais recente alvo são os direitos reprodutivos da mulher. Eu também já escrevi sobre isso e falei da necessidade de começar a falar em ódio cristão.

2. Infância

Dica de desenhos e filmes infantis: Protagonistas negros : Para fortalecer a autoestima das crianças negras é importante se sentir representado. Infelizmente, a maior parte da produção dos desenhos animados tem protagonistas brancos. Então, que tal conhecer os poucos desenhos que fogem à regra?

3. Mulheres Notáveis

Energia = Mulher . Ciência² : Um texto sobre as três cientistas brasileiras que foram destaque na mídia nas últimas semanas devido às suas contribuições para suas áreas de pesquisa.

Morre aos 83 anos a intelectual Rose Marie Muraro: Morreu esta semana uma pioneira do movimento feminista brasileiro, depois de escrever dezenas de livros e ser considerada a patrona do feminismo no Brasil.

"Why is God telling me to stop asking questions?": Meet the woman behind Neil DeGrasse Tyson's Cosmos (Em inglês): Conheça um pouco de Ann Druyan, a criadora e roteirista da série "Cosmos" (Da série original e da série atual).

4. Games

A Anita Sarkeesian, do Feminist Frequency (Todos os links em inglês), acaba de lançar mais um vídeo da série "TropesxWomen in Video Games" sobre a representação feminina nos games.

Women in Background Decoration - Part 1 (Em inglês, mas dá para habilitar a legenda em português): Neste vídeo, Anita mostra como os games têm representado as mulheres como objetos sexuais, suscetíveis à violência e como os jogos induzem o comportamento agressivo do jogador.

5. TV

As rainhas do segundo ano de Orange is the new black (Tem spoilers): Eu sei que já postei exaustivamente links sobre esta série, mas é que tá pouco de link de OITNB, precisa de mais link.

Racismo; escritor diz que o Nordeste é uma bosta : Para quem não sabe ainda, isso é racismo. Tá legal?

6. Sexualidade

Let's spend some time together (Em inglês) : Este texto publicado no Rookie Mag (um website para adolescentes), é o relato da experiência de uma mulher em decidir fazer sexo com pessoas que acabou de conhecer. Sabe aquele velho mito de que mulher que dá no primeiro encontro é vadia? Passou da hora de questionar essa afirmação. E é ótimo ler o relato de uma mulher como agente de uma investida sexual, já que normalmente a gente só ouve falar que homem é que sai para "pegar mulher". As minas também pegam, é uma via de mão dupla, sabe?

7. Música

The 13 Creepiest moments in Robin Thicke's new "Get her back" video, presented in chronological order (Em inglês): Sabe aquele babaca que gravou aquela música misógina "Blurred lines"? Eles está de volta com um vídeo bem escrotinho. O contexto é ainda mais assustador, como você pode ler aqui (Em inglês). O cantor se separou da esposa e adivinha qual o nome do novo álbum dele? Isso mesmo, o nome da ex. O vídeo mostra várias SMS reais trocadas entre os dois. Parece ou não um daqueles caras violentos que começam a seguir e assediar suas ex-namoradas?

Lady Gaga "do what u want" video banned for promoting rape (Todos os links relacionados em inglês): O que dizer de um vídeo de uma música cuja mensagem é "faça o que você quiser como meu corpo", dirigido pelo Terry Richardson, que foi recentemente acusado de estupro, e estrelando R.Kelly, um outro sujeito acusado de estupros e de possuir pornografia infantil? Sinceramente, está tudo errado. Tudo.

E já que estamos falando de música, em época de Copa do Mundo, porque não lembrar da única música da copa que presta e tem o vídeo mais delicioso, a coreografia que dá vontade de levantar e dançar junto? É o clipe do passinho. E tem até a versão bafo. <3

8. Panorama Mundial

3 Frat members film sexual assault, are allowed to graduate anyway (Em inglês) : (TW - Estupro) Mais um dentre os incontáveis casos de estupro em universidades americanas.

Novo colonialismo na África: Europeus, americanos e chineses se apoderam das riquezas : Este não é um texto sobre feminismo, mas sobre como os interesses econômicos dos países de 1º mundo passam por cima de qualquer interesse humanitário.

Banned from sports stadiums, Iranian women get creative (Em inglês): Mulheres iranianas não podem entrar em estádios, e por isso se disfarçam de brasileiras para assistir ao jogo de vôlei Brasil x Irã.

Mulheres são esterilizadas sem consentir em prisões nos EUA : Gravíssima violação de direitos humanos das presidiárias americanas. Absurdo, aterrador.

"O aborto será descriminalizado este ano" : Entrevista com a presidenta do Chile, Michelle Bachelet, que entre vários assuntos, aborda a questão do aborto.

9. Copa do Mundo

Ok, só para não perder o costume.

Deficiência não é sinônimo de cadeiras de rodas, Dona FIFA : Texto sobre o compartilhamento irresponsável de uma foto de uma moça de pé, apesar da cadeira de rodas. O texto mostra como a deficiência (e a necessidade do uso de cadeira de rodas) não acomete apenas para ou tetraplégicos. Nem sempre a deficiência é visível.

Musa não joga, não torce e não apita : Na minha opinião, a Fórum está fazendo a melhor cobertura da Copa. Este é um texto sobre como é dado à mulher um lugar secundário no futebol.

Defying ban, Iranian women watch World Cup with men in public (Em inglês) : As mulheres iranianas de novo! Sim, elas estão desafiando as convenções e assistindo aos jogos em lugares públicos. <3

10. O que andei escrevendo por aí?

A semana foi tão corrida que nem recado na porta da geladeira eu escrevi.  :(

Gostaram da listinha de links da semana? Fique ligadinho que toda quinta tem #ValorizeAsMinas, a minha forma de promover o feminismo através de notícias relacionadas, textos e do trabalho de outras minas feministas. 

quinta-feira, 19 de junho de 2014

#ValorizeAsMinas: O "adeus" do We Can Cast It.

Que loucura que foi esta última semana! O twitter vai explodir de tanto meme da copa. Aliás, a internet anda meio monotemática, tanto que acho até que li mais textos feministas gringos do que brasileiros. Não sei se foi porque quando se fala muito de um tema (futebol), acabamos esquecendo de divulgar outros (feminismo), ou se até mesmo os textos feministas deram uma diminuída no ritmo.

Por isso a lista desta semana terá vários links em inglês :(


Na segunda-feira desta semana, foi ao ar o último episódio do podcast que produzo. acho que passei por todas as emoções possíveis por causa do fim do podcast. Do choro ao sentimento de alívio e recomeço. Da sensação de que se foi muito cedo e do dever cumprido. Não sei  mais nem o que pensar a respeito. Os motivos você pode conferir ouvindo o episódio.

A vida segue :´)

1. Copa do Mundo

Já está todo mundo doente de tanto link sobre a Copa do mundo? eu também já estou saturada. Mas o assunto está rendendo algumas discussões interessantes para as mulheres, afinal, futebol, racismo, machismo, preconceitos de classe andam juntinhos.

Dilma é xingada e as feministas são convocadas para a defesa : Podemos e devemos criticar a atuação da presidenta. Mas é justo fazê-lo usando um discurso machista?

A ausência como discurso na abertura da copa : Um texto sobre a gentrificação na abertura da Copa do Mundo, amplamente tomada por uma elite branca.

Cientista reclama de tempo curto para mostrar exoesqueleto em abertura : Que cagada fenomenal. Sabe aquela história de "um pequeno passo para o homem um grande passo para a humanidade"? Se aplicaria muito bem ao experimento desenvolvido pelo cientista Miguel Nicolelis, mas para quê falar de uma inovação científica que mudará a vida de milhares de pessoas com diversidade funcional, se podemos mostrar o ônibus da seleção chegando, não é?

Machismo: e se fosse um pedreiro? : Um texto sobre o beijo não consensual que o turista croata deu na jornalista Sabina Simonato enquanto ela fazia seu trabalho.

World Cup of Sexism (Em inglês) : Os gringos estão achando que a mulher brasileira está à disposição.

2. Games

Primeiro, me desculpem por tantos links em inglês, mas é que não conheço nenhum site feminista sobre games no Brasil (apenas o Colchões do Pântano, mas já tem um tempo que o blog está parado) que esteja acompanhando este debate.

Adding Female characters to new Assassin's Creed would "double the work", says Ubisoft (em inglês): Ubisoft tenta se justificar por não ter personagens femininas jogáveis em Assassin's Creed. Mas francamente? Que desculpinha! E já teve animador que refutou o argumento (em inglês)

E3 Supercut video highlights the sorry state of video game diversity (em inglês) : Um link que aponta a mesmice do protagonismo do jogos. Há um vídeo com uma compilação de 40 protagonistas, todos homens e brancos.

The video game that finally made me feel lika a human being (Em inglês): Então, já que entramos no assunto da representação feminina nos jogos, vou recomendar este texto sobre a DLC do jogo Last of Us, chamada de Left behind. O jogo é protagonizado por um homem branco (embora todas as personagens femininas que aparecem sejam ótimas), mas a DLC é uma espécie de prequell do jogo, que conta a história da Ellie e sua amizade com a Riley. É lindo demais ver uma história assim ser contada.

3. Mulheres Notáveis

American Girl in Italy: The travel story behind the iconic picture (Em inglês) :  A fotojornalista Ruth Orkin e a a estudante de arte Ninalee Craig viajaram para a Europa em 1951. Lá, Ruth fez uma série de fotografias, dentre as quais, "American Girl in Italy", uma foto icônica que é vista como um símbolo do assédio do qual as mulheres são vítimas nas ruas. Mas o que se fala pouco é da viagem por trás dessa fotografia, a história de duas mulheres determinadas a viajar pelo mundo e sem precisar de uma companhia masculina.

Mulheres na história da internet : As áreas do conhecimento relacionadas à tecnologia são dominadas por homens, mas há também um grau de invisibilização do trabalho das mulheres. Conheça algumas mulheres inspiradoras que fazem parte da história da internet.

Brasileira ganha prêmio internacional por sua pesquisa em energia escura : Marcelle Soares Santos venceu o Alvin Tollestrup Award (Prêmio Alvin Tollestrup) de Melhor Pesquisa de Pós-doutorado por sua contribuição à pesquisa de energia escura. 

4. Racismo

Professor faz lista com 360 termos racistas : Nem é notícia tão nova assim, mas eu só li essa semana. Um professor chamado Luiz Henrique Rosa, incomodado com a quantidade de termos ofensivos usados por seus alunos, pediu que eles listassem as ofensas que falavam. A maior parte das ofensas era racista. Dessa iniciativa nasceu um projeto chamado "Qual é a graça" que presta homenagem aos negros escravizados.

Dados de homicídios de jovens no país não constrangem a sociedade : José Júnior conta sua experiência no Afroreggae e do trabalho necessário de estender a mão para o jovem que não teve oportunidades. E faz um apelo para que mais pessoas apóiem o Afroreggae. Texto muito necessário nos dias atuais em que Datenas e Sheherazades levantam a voz em rede nacional pedindo linchamentos públicos.

5. Diversidade funcional (ou deficiência física)

Asneiras que mulheres com deficiência ouvem : Este link é necessário porque noção é artigo raro, está em falta no mercado. Por sinal, pude relacionar algumas coisas com as asneiras que as mulheres gordas ouvem. Eu acho que há algumas aproximações entre capacitismo, transfobia e gordofobia.

6. Mulheres e Ficção

Vai ter muito link. Primeiro porque essa semana rolou season finale de "Game of Thrones" e, segundo, porque ainda estou assistindo a segunda temporada de "Orange is the new black".

How "Orange is The New Black" is inspiring prison reform (Em inglês): Sabe aquela série super foda que eu recomendei há algumas semanas atrás? Segure aí mais este motivo para gostar dela. E não deixe de acompanhar as resenhas da Laís Rangel, no site Apaixonados por séries. Todos os sábados e quartas-feiras ela fará a resenha de um episódio da segunda temporada de "Orange is the new black".

Uzo Aduba and Danielle Brooks break out on Netflix (Em inglês): Entrevista com duas atrizes do seriado "Orange is the new Black", que interpretam as minhas duas personagens preferidas. <3 O meu amor por essa série não tem limites.

12 times the women of Game of Thrones were super fierce (Em inglês): Uma lista de momentos empoderadores das personagens. Eu só senti falta da little bird, Sansa Stark (em português).

"Game of Thrones" fails the female gaze: Why does prestige TV refuse to cater erotically to women? (Em inglês) : Esse texto trata de um aspecto pouco levantado sobre Game of Thrones (e a TV em geral), embora muito se fale na violência misógina, esquecemos de falar do quanto as cenas de nudez e sexo são produzidas para o olhar do público masculino.

A personagem feminina forte : Fica a pergunta, basta ser forte? Quantas mulheres fortes ainda tem suas histórias girando em torno de personagens masculinos?

7. Literatura

I Am not your Manic Pixie Bookworm (Em inglês) : Eu meio que quero me casar com este texto. Ele é sobre um novo tipo de objetificação da mulher, ou melhor, da intelectualidade da mulher. Já repararam como tem se tornado comum essa historinha de que "garota que lê é sexy" (menos se a mina gostar de ler teoria feminista!)? O hábito da leitura de uma mulher é uma ferramenta de empoderamento, e não mais uma forma de fetichização.

8. A TV e as mulheres brasileiras

Mulheres brasileiras: Do ícone midiático à realidade (Em português com legenda em espanhol): Documentário curtinho (14 minutos) sobre a representação da mulher brasileira na mídia.

SBT abre o palco para espancadores de mulheres no programa Casos de Família: O nível desse programa sempre foi baixo, mas agora escavou até o subsolo.

9. Panorama Mundial

Ruanda 20 anos depois: O trágico depoimento dos filhos do estupro : (TW - Estupro) Depoimentos de mulheres que foram estupradas em Ruanda em seu período de guerra pelos Interahamwe, a milícia hutu que liderou os massacres dos tutsis. E depoimento das crianças nascidas desses estupros.

Dos esqueletos que a Irlanda guarda no armário : Texto muito foda da Flávia Simas, que hoje mora na Irlanda. O país teve notoriedade internacional nas últimas semanas pela descoberta dos corpos de 796 bebês e crianças enterradas em um convento que servia de abrigo para mães solteiras. A Flávia explica todo o caso com detalhes em português. Não deixe de ler este texto.

10. Infância

Vídeo mostra porque os pais devem incentivar suas filhas a serem mais do que bonitas (Em inglês) : Um videozinho que mostra meninas tendo sua curiosidade desincentivada pelos pais com frases como "Não vá sujar seu vestido" ou "Deixe seu irmão fazer isso".

O que me lembrou de um  We Can Cast It que gravamos sobre dicas feministas para um mundo melhor. Uma das dicas era exatamente permitir que as crianças explorem seus potenciais, descubram suas habilidades.

11. O que andei publicando por aí?

Essa semana eu estive mais parada. Talvez seja efeito copa do mundo também.

We Can Cast It sobre Mulheres inspiradoras da Ficção - Eu e a Aline Valek estamos encerrando por tempo indeterminado este projeto. Chamamos várias convidadas e elas nos contaram quem são as personagens da ficção que mais as inspiraram e o que aprenderam com elas.

Gostou da seleção de links desta semana? Então está convidado a voltar! Todas as quintas feiras eu publico uma seleção de links legais.  No #ValorizeAsMinas eu dou preferência para o trabalho das mulheres e conteúdo que tenha relação com o feminismo. Vamos parar de dar clique de indignação e começar a distribuir notícias, textos, análises e outros projetos que tragam algo de positivo?

Leu algum texto muito legal que não está nesta lista? É só recomendar aí nos comentários :)