Homenagem é o caralho. Do que eu estou falando? recentemente uma revista francesa faz ensaio fotográfico entitulado African queen (Rainha africana) usando uma modelo loira cuja pele foi pintada digitalmente para parecer negra e, poucas semanas depois, o renomado estilista Ronaldo Fraga, "homenageia" os negros fazendo com que modelos usem perucas de palha de aço (Bombril) na passarela do SPFW. Na boa? Não é homenagem se as pessoas se sentem ridicularizadas.
Para falar disso é necessário compreender que o nosso padrão de beleza é racista. As características européias são normalmente qualificadas como bonitas: pele e olhos claros, cabelos com compleição lisa, nariz aquilino e etc. Aos traços característicos dos negros se atribuem adjetivos nada abonadores: Nariz de batata, cabelo de bombril, cabelo duro, cabelo ruim, carvão, sujo e etc. Portanto, existe um fator racial determinante em como a sociedade percebe a beleza.
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| Humor do início do século XX |
Para falar disso é necessário compreender que o nosso padrão de beleza é racista. As características européias são normalmente qualificadas como bonitas: pele e olhos claros, cabelos com compleição lisa, nariz aquilino e etc. Aos traços característicos dos negros se atribuem adjetivos nada abonadores: Nariz de batata, cabelo de bombril, cabelo duro, cabelo ruim, carvão, sujo e etc. Portanto, existe um fator racial determinante em como a sociedade percebe a beleza.
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| Blackface glamurizado da revista |
E sob esse aspecto que a prática do blackface, ou seja, o ato de pintar uma pessoa branca de negra é compreendido. A caracterização do branco como negro é usada há muito tempo como forma de ridicularização. E continua sendo, não se esqueçam de Adelaide, do Zorra Total. E por isso é perigosa demais essa "glamurização" do blackface, que ignora um passado de opressão. A glamurização do blackface é um carimbo que diz: "não somos racistas, somos todos iguais". O problema é que não somos iguais e não devemos nos dar ao luxo de ignorar isso. O tratamento dispensado aos negros e aos brancos em nossa sociedade é de profunda desigualdade racial.
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| O cabelo de bombril |
Muito parecido com isso é a questão do cabelo bombril. Eu acho que a uma imagem fala muita coisa. O cabelo crespo não é bombril, essa é uma ridicularização sobre uma característica física atribuída aos negros. Uma peruca de bombril é uma piada de péssimo gosto. Se a idéia era fazer uma homenagem, seria muito mais interessante e empoderador realizar um desfile inteiramente formado por modelos negros. Sabemos que, dado o caráter preconceituoso do padrão de beleza, os negros tem um lugar restrito na moda, representando o exótico, o diferente. Seria lindo ver diversidade nas passarelas em vez de Bombril. Não dá para retirar as coisas de seu contexto de opressão, falar em "homenagem" e achar que é tão simples assim. Uma ressignificação.
Não é ressignificação quando parte de um grupo opressor. A ressignificação é antes de tudo empoderadora. Por exemplo, eu uso a palavra "negro" para me referir às pessoas de pele escura, mas os negros podem preferir falar de si mesmos como "pretos" de forma empoderadora. Eu, que sou branca, prefiro não usar esse termo, pois sei que temos responsabilidade histórica sobre o teor pejorativo que ele recebeu. Então, resumindo nada disso é homenagem e nem ressignificação, o nome correto é opressão.
Por outro lado, a marca Cavalera arrasou com muitos modelos negros, cabelos livres e soul music. Vamos contemplar:
Essa postagem integra a blogagem coletiva organizado pelo grupo "Blogueiras negras"













