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| Sam, Charlie e Patrick, os personagens principais de "As vantagens de ser invisível" |
Então, amigos, há alguns dias assisti ao filme "As vantagens de ser invisível" (The perks of being a wallflower, 2012) e fiquei tão apaixonada pelo filme que resolvi usar esse espaço para falar um pouco dele. O filme foi baseado no livro homônimo de Stephen Chbosky (Mais um para a minha lista infinita de livros que quero ler em 2013...). E é o próprio autor do livro quem roteriza e dirige o filme, garantindo que sua visão seja respeitada.
Quem hoje está em seus quase 30 anos deve ter se deparado com uma profusão de filmes highschool nos anos 80 e 90. Comigo foi assim. Assisti à filmografia do saudoso John Hughes (responsável por preciosidades como "Clube dos cinco", "Curtindo a vida adoidado", "A garota de rosa shocking" e algumas bombas também, porque ninguém é perfeito). Assisti à incontáveis dramas e comédias sobre esse período da vida em que a gente começa a se individualizar. Eu sempre gostei desse tipo de filme. É um gênero que nunca se esgota, porque é profundamente introspectivo e, paradoxalmente, é ao mesmo tempo universal.

O que caracteriza um filme highschool? A presença marcante da vida escolar no highschool, ou como chamamos no Brasil, ensino médio. Mas a trama não precisa ficar presa à isso. Em "As vantagens de ser invisivel", a escola é apenas o cenário, o palco, para as descobertas da vida. Quando, nos idos dos anos 80, John Hughes trancou os cinco alunos desajustados em uma sala de aula. Unidos por um castigo que parecia durar a eternidade, a escola também não era o essencial. Isso acontece porque aqueles personagens não são planos. Não são apenas "um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso", são personagens que, conforme o filme se desenrola, vão revelando ser multifacetados.
É exatamente esse traço da filmografia do John Hughes que acredito que faltou à filmes como "Highschool musical" e "Meninas Malvadas", dois filmes do gênero que estão entre os mais famosos dos últimos anos (Não que a falta de qualidade nos filmes highschool seja exclusividade dos anos 2000). A visão superficial e estereotipada da adolescência que muitos filmes mostram é um tipo de invisibilização, de silenciamento. É tratar o adolescente como um ser bobo. É dizer que seus problemas são pequenos. Quando adultos, parece que esquecemos como a primeira vez em que experimentamos algo é intensa. Do primeiro beijo à primeira tragada. É tudo amplificado. Adolescentes não são dramáticos nem imbecis. São apenas pessoas decidindo/descobrindo quem elas são de fato.
Em "As vantagens de ser invisível", a idéia de que os personagens são mais do que aparentam, que aquele momento de suas vidas é intenso, complexo e desafiador está presente desde o primeiro minuto do filme. A tradicional separação nerds/desajustados/jogadores/líderes de torcida/alternativos/bullies existe, mas não de forma tão evidente. Há por exemplo, uma bully que é nerd. E também pessoas mais neutras, que circulam bem, sem atrito com outros grupos (como parece ser a irmã do personagem principal).
Charlie, o protagonista, é um jovem com problemas psicológicos sérios, que já passou por internação em clínicas psiquiátricas. Logo no início, somos apresentados à esse personagem que é ao mesmo tempo inteligente, solitário e trágico. E embora ele sofra bullying na escola, nunca foi retratado como alguém digno de pena. Seus grandes amigos são Sam, uma jovem que teve uma vida atribulada e que sofreu abuso na infância, e o meio-irmão dela, Patrick, um homossexual que ama alguém que não teve a coragem de se assumir homossexual também. Charlie passa por várias "primeiras vezes" no filme ao lado desses dois amigos. E há momentos de grande emoção que une esses três personagens com uma enorme delicadeza.
Como um pano de fundo dessa história, há a violência contra as mulheres e crianças, física e psicológica. De forma simples, esses temas aparecem em alguns momentos, delineando e dando profundidade aos personagens. Uma frase do professor de inglês do Charlie é emblemática e nos faz pensar em como se desenvolvem os relacionamentos abusivos. Ele diz: "Aceitamos o amor que acreditamos merecer". Isso ajuda a entender como algumas mulheres estão sempre ao lado de homens abusivos, obviamente esse não é o único fator. Mas não é muito parecido com isso em alguns casos mesmo? Há relacionamentos em que a autoestima da mulher é tão sufocada, que ela começa a acreditar, ainda que de forma não racionalizada, que é aquele amor que ela merece, precisa ou pode ter.
Uma curiosidade: fui atrás de entender o significado da palavra "Wallflower" e, a menos que alguém possa me dar outra significação, a resposta do dicionário foi: "moça que fica sem dançar por não ter parceiro". Na nossa sociedade machista, pode ser compreendida com uma imagem da solidão (que é bastante recorrente no filme, pois sempre tem alguém em uma festa sozinho, encostado em algum canto...).
Uma curiosidade: fui atrás de entender o significado da palavra "Wallflower" e, a menos que alguém possa me dar outra significação, a resposta do dicionário foi: "moça que fica sem dançar por não ter parceiro". Na nossa sociedade machista, pode ser compreendida com uma imagem da solidão (que é bastante recorrente no filme, pois sempre tem alguém em uma festa sozinho, encostado em algum canto...).















