segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Somos todos um pouco Wallflower

Sam, Charlie e Patrick, os personagens principais de
"As vantagens de ser invisível"


Então, amigos, há alguns dias assisti ao filme "As vantagens de ser invisível" (The perks of being a wallflower, 2012) e fiquei tão apaixonada pelo filme que resolvi usar esse espaço para falar um pouco dele. O filme foi baseado no livro homônimo de Stephen Chbosky (Mais um para a minha lista infinita de livros que quero ler em 2013...). E é o próprio autor do livro quem roteriza e dirige o filme, garantindo que sua visão seja respeitada. 

Quem  hoje está em seus quase 30 anos deve ter se deparado com uma profusão de filmes highschool nos anos 80 e 90. Comigo foi assim. Assisti à filmografia do saudoso John Hughes (responsável por preciosidades como "Clube dos cinco", "Curtindo a vida adoidado", "A garota de rosa shocking" e algumas bombas também, porque ninguém é perfeito). Assisti à incontáveis dramas e comédias sobre esse período da vida em que a gente começa a se individualizar. Eu sempre gostei desse tipo de filme. É um gênero que nunca se esgota, porque é profundamente introspectivo e, paradoxalmente, é ao mesmo tempo universal.


O que caracteriza um filme highschool? A presença marcante da vida escolar no highschool, ou como chamamos no Brasil, ensino médio. Mas a trama não precisa ficar presa à isso. Em "As vantagens de ser invisivel", a escola é apenas o cenário, o palco, para as descobertas da vida. Quando, nos idos dos anos 80, John Hughes trancou os cinco alunos desajustados em uma sala de aula. Unidos por um castigo que parecia durar a eternidade, a escola também não era o essencial. Isso acontece porque aqueles personagens não são planos. Não são apenas "um cérebro, um atleta, um caso perdido, uma princesa e um criminoso", são personagens que, conforme o filme se desenrola, vão revelando ser multifacetados.

É exatamente esse traço da filmografia do John Hughes que acredito que faltou à filmes como "Highschool musical" e "Meninas Malvadas", dois filmes do gênero que estão entre os mais famosos dos últimos anos (Não que a falta de qualidade nos filmes highschool seja exclusividade dos anos 2000).  A visão superficial e estereotipada da adolescência que muitos filmes mostram é um tipo de invisibilização, de silenciamento. É tratar o adolescente como um ser bobo. É dizer que seus problemas são pequenos. Quando adultos, parece que esquecemos como a primeira vez em que experimentamos algo é intensa. Do primeiro beijo à primeira tragada. É tudo amplificado. Adolescentes não são dramáticos nem imbecis. São apenas pessoas decidindo/descobrindo quem elas são de fato.

Em "As vantagens de ser invisível", a idéia de que os personagens são mais do que aparentam, que aquele momento de suas vidas é intenso, complexo e desafiador está presente desde o primeiro minuto do filme. A tradicional separação nerds/desajustados/jogadores/líderes de torcida/alternativos/bullies existe, mas não de forma tão evidente. Há por exemplo, uma bully que é nerd. E também pessoas mais neutras, que circulam bem, sem atrito com outros grupos (como parece ser a irmã do personagem principal).

Charlie, o protagonista, é um jovem com problemas psicológicos sérios, que já passou por internação em clínicas psiquiátricas. Logo no início, somos apresentados à esse personagem que é ao mesmo tempo inteligente, solitário e trágico. E embora ele sofra bullying na escola, nunca foi retratado como alguém digno de pena. Seus grandes amigos são Sam, uma jovem que teve uma vida atribulada e que sofreu abuso na infância, e o meio-irmão dela, Patrick, um homossexual que ama alguém que não teve a coragem de se assumir homossexual também. Charlie passa por várias "primeiras vezes" no filme ao lado desses dois amigos. E há momentos de grande emoção que une esses três personagens com uma enorme delicadeza.

Como um pano de fundo dessa história, há a violência contra as mulheres e crianças, física e psicológica. De forma simples, esses temas aparecem em alguns momentos, delineando e dando profundidade aos personagens. Uma frase do professor de inglês do Charlie é emblemática e nos faz pensar em como se desenvolvem os relacionamentos abusivos. Ele diz: "Aceitamos o amor que acreditamos merecer". Isso ajuda a entender como algumas mulheres estão sempre ao lado de homens abusivos, obviamente esse não é o único fator. Mas não é muito parecido com isso em alguns casos mesmo? Há relacionamentos em que a autoestima da mulher é tão sufocada, que ela começa a acreditar, ainda que de forma não racionalizada, que é aquele amor que ela merece, precisa ou pode ter.

Uma curiosidade: fui atrás de entender o significado da palavra "Wallflower" e, a menos que alguém possa me dar outra significação, a resposta do dicionário foi: "moça que fica sem dançar por não ter parceiro". Na nossa sociedade machista, pode ser compreendida com uma imagem da solidão (que é bastante recorrente no filme, pois sempre tem alguém em uma festa sozinho, encostado em algum canto...).

11 comentários:

  1. Adorei o filme, babe. Essa frase "we accept the love we think we deserve" me fez pensar muito.

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  2. Não vi o filme, mas estou lendo o livro. Eu entendo a força e ao mesmo tempo a delicadeza da história, mas não estou conseguindo me envolver com o Charlie como eu esperava. Se bem que acho que a ideia é essa mesmo, já que os personagens secundários (e até os beeeem secundários mesmo) são riquíssimos.

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  3. E o Patrick é o Ezra Miller né? "Precisamos falar sobre Kevin" meio que estragou o Ezra Miller pra mim, hehe.

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  4. O significado informal de wallflower, seria considerando um papel de parede com flores, e wallflower seria uma dessas flores, subentendendo que todos somos uma flor nessa parede.

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  5. A definição de wallflower pode ser dita como uma metáfora, de que o mundo seria um papel de parede, e que assim, seriamos as flores dele, e todos somos únicos, etc

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    1. Waal (espaço) flower é papel de parede florido. Waalflower é um pássaro e uma gíria para aquela pessoa que não é convidada, não tem um par para o baile

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    2. Oh, mals, pássaro não, flor, viajei aqui. É uma flor amarela.

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  6. Wallflower significa Goivo-amarelo, e é uma flor.

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  7. Wallflower: Alguém que observa tudo e todos ao seu redor sem jamais ser notado(definição informal da língua inglesa)

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  8. Wallflower: Em situações sociais, o Wallflower é um indivíduo tímido ou impopular que não socializa ou participa de atividades em eventos sociais. Ele ou ela pode ter outros talentos, mas geralmente não os demonstram na presença de outros indivíduos. O termo vem da imagem de uma pessoa se isolar de de atividades sociais num baile ou festas, onde as pessoas que não queriam dançar (ou não tinha parceiro) mantinham-se perto das paredes do salão de dança. o uso da expressão é de 1920 num poema do inlgês Winthrop Mackworth Praed chamado County Bola.

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  9. Só um comentário sobre o que você disse de ter uma nerd bully. Ela não é nerd. Eu vi esse filme no mínimo umas dez vezes e só na quinta me dei conta disso. Na cena em que ela ataca um garoto perguntando se ele fez o trabalho sobre um conto de duas cidades fica claro que ela obriga alunos nerds a fazerem os trabalhos para ela, assim, tirando as melhores notas.

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